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O rio Solimões começa a apresentar sinais de possível estabilização em municípios do interior do Amazonas. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), pequenas oscilações de subida e descida foram observadas nos últimos dias nas estações de monitoramento de Fonte Boa e Tabatinga, indicando uma mudança no comportamento das águas após meses de vazante.
As informações constam no 41º Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado em 13 de outubro e detalhado em comunicado oficial publicado no dia 14, com atualização no dia 15.
Embora as oscilações possam representar uma aproximação do fim da vazante nessas localidades, os dados ainda não permitem afirmar que o rio iniciou definitivamente seu processo de enchente.
Fonte Boa e Tabatinga apresentam mudanças no comportamento do rio
No Alto e Médio Solimões, o comportamento das águas é acompanhado com atenção por moradores de comunidades ribeirinhas, pescadores, agricultores e trabalhadores do transporte fluvial.
Em Fonte Boa, as oscilações registradas pelo SGB representam um sinal importante depois de um período de descida do nível do rio.
Situação semelhante foi observada em Tabatinga, município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
No boletim anterior, divulgado em 6 de outubro, o SGB já identificava um princípio de estabilização nessas duas localidades, apontando a possibilidade de encerramento gradual do período de vazante nessa parte da bacia.
Coari e Manacapuru continuam em vazante
Enquanto Fonte Boa e Tabatinga apresentam pequenas oscilações, outras localidades da calha do Solimões ainda registram redução regular do nível das águas.
É o caso de Coari e Manacapuru, onde a vazante permanece dentro do comportamento esperado para esta época do ano.
O cenário demonstra que o rio não apresenta necessariamente o mesmo comportamento em toda sua extensão. As condições variam conforme a localização, o regime de chuvas e a contribuição dos afluentes.
Chuvas abaixo da média ainda preocupam
Apesar dos sinais de estabilização em parte do Solimões, o SGB alerta que o volume de chuvas acumulado nos últimos 30 dias ficou abaixo do esperado em diversas bacias da Amazônia, incluindo o curso principal do Solimões e as bacias dos rios Jutaí e Juruá.
A previsão apresentada pelo órgão indica predominância de chuvas abaixo da média em grande parte da região monitorada durante a segunda quinzena de outubro.
Isso significa que eventuais elevações pontuais no nível das águas não garantem, por enquanto, uma recuperação contínua do rio.
Ribeirinhos aguardam recuperação das águas
Para as populações que vivem às margens do Solimões, a recuperação do nível do rio representa mais do que uma mudança natural do ciclo das águas.
A vazante pode dificultar o transporte de passageiros, o abastecimento de comunidades, o escoamento da produção agrícola e o acesso a serviços essenciais.
Em comunidades afastadas das sedes municipais, a formação de praias, bancos de areia e trechos rasos pode exigir mudanças nas rotas de embarcações e aumentar o tempo de deslocamento.
Pescadores também precisam adaptar suas atividades às condições dos rios, lagos, paranás e igarapés.
A expectativa de recuperação das águas é importante para essas populações, mas especialistas ressaltam que oscilações isoladas não são suficientes para confirmar o encerramento da estiagem.
Monitoramento continuará nas próximas semanas
O Serviço Geológico do Brasil mantém o acompanhamento dos níveis dos rios por meio de estações hidrológicas instaladas em diferentes pontos da Bacia Amazônica.
O órgão ressalta que os dados das grandes calhas não representam necessariamente as condições de rios menores, lagos e igarapés, onde os efeitos da estiagem podem ser diferentes.
Para Fonte Boa e os municípios vizinhos, os próximos boletins serão fundamentais para verificar se as pequenas oscilações evoluirão para uma subida contínua ou se a vazante ainda poderá apresentar novos períodos de descida.
O Portal Fonte Boa em Tempo continuará acompanhando o comportamento do rio Solimões e seus reflexos na vida das populações ribeirinhas.
Consulta oficial: Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas.