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Segunda-feira, 12 de Outubro 2026
Meio Ambiente

Após negar pedido de aeronaves feito pelos Bombeiros do Amazonas, Governo Federal envia reforço aéreo para combater incêndios

Seis aeronaves chegaram ao Amazonas até domingo (11), enquanto outras cinco integram a mobilização anunciada; Governo Federal confirma 250 brigadistas em campo e reforço de mais 40 profissionais. População ainda enfrenta fumaça e aguarda resultados das operações.

Após negar pedido de aeronaves feito pelos Bombeiros do Amazonas, Governo Federal envia reforço aéreo para combater incêndios
Imagens: Divulgação (FAB).
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A ajuda federal anunciada para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas começou a chegar ao estado no último sábado (10), após dias de agravamento das queimadas, aumento da fumaça sobre Manaus e divergências entre autoridades estaduais e federais sobre o atendimento a pedidos de apoio.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), seis aeronaves já haviam chegado ao Amazonas até domingo (11) e passado a integrar as operações. O Governo Federal anunciou a disponibilização de 11 aeronaves, incluindo aviões especializados no lançamento de água, helicópteros, aeronaves militares e apoio logístico.

A confirmação da chegada representa um novo capítulo na crise ambiental que atinge o estado. Entretanto, a presença dos equipamentos não encerra os questionamentos sobre a capacidade de resposta à emergência e os resultados efetivos das operações.

Aeronaves começaram a chegar no sábado

As primeiras aeronaves pousaram em Manaus no sábado (10). Dois helicópteros do Ibama chegaram ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes por volta das 13h. Posteriormente, quatro aviões Air Tractor aterrissaram na Base Aérea de Manaus.

Os aviões são utilizados em operações de lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo. Já os helicópteros têm funções de transporte de equipes e podem receber equipamentos para lançamento de água.

O reforço anunciado pelo Governo Federal compreende:

  • Seis aviões Air Tractor;

  • Dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira;

  • Dois helicópteros;

  • Uma aeronave Caravan para apoio logístico.

Os dois KC-390 chegaram ao Amazonas no domingo (11), com previsão de início das operações nesta segunda-feira (12). A confirmação de sua chegada não significa, necessariamente, que já tenham realizado missões de combate ao fogo.

Imagem: Divulgação (FAB).
Imagem: Divulgação (FAB).

Pedido dos Bombeiros havia recebido resposta negativa

A chegada das aeronaves acontece após a repercussão de declarações do comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Ximenes Muniz.

Na sexta-feira (9), o comandante informou que uma solicitação encaminhada ao Governo Federal em setembro não havia sido atendida.

O pedido, datado de 18 de setembro e direcionado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluía quatro aeronaves para combate aos incêndios, uma aeronave para transporte de equipes e equipamentos, além de recursos destinados à aquisição ou locação de veículos.

A resposta, assinada em 1º de outubro pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), informou a impossibilidade de atender à solicitação naquele momento, indicando limitações na disponibilidade dos equipamentos e alternativas para obtenção de recursos.

Os documentos apresentados pelos Bombeiros confirmam que aquele pedido específico não foi atendido nos termos solicitados.

Governo Federal apresenta sua versão

Após a repercussão do caso, o Ministério do Meio Ambiente divulgou esclarecimentos sobre as ações federais.

Segundo a pasta, em 23 de setembro o Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, recebeu uma solicitação de apoio do Governo do Amazonas.

Em resposta, teriam sido acionados combatentes do projeto Respad e uma aeronave do projeto Pegasus.

O ministério informou ainda que, em 30 de setembro, após chuvas contribuírem para o controle de focos de incêndio, o Governo do Amazonas comunicou que não necessitava mais do apoio da equipe Respad, que acabou dispensada antes de seguir para o campo.

A explicação federal refere-se a um procedimento diferente daquele documentado pelo Corpo de Bombeiros junto à Senasp. Portanto, a existência de ações federais anteriores não altera o conteúdo da resposta negativa recebida pelos Bombeiros, assim como a negativa específica não significa ausência de toda e qualquer atuação federal no estado.

Imagem: Brigadista em ação. (IBAMA)
Imagem: Brigadista em ação. (IBAMA)

Amazonas tem 236 incêndios extintos e 22 ainda em combate, diz Ibama

No balanço atualizado em 11 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que o Ibama havia extinguido 236 incêndios florestais no Amazonas desde o início da temporada.

Outros 22 incêndios permaneciam sob combate.

O Governo Federal também confirmou que 250 brigadistas já estavam atuando em campo, enquanto outros 40 profissionais estavam sendo deslocados para reforçar as operações.

Esses números representam o balanço informado pelos órgãos federais e não devem ser confundidos com a quantidade total de focos de calor identificados por satélite em todo o Amazonas.

Situação de emergência em 36 municípios

No sábado (10), o Governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios atingidos pelos incêndios florestais.

O reconhecimento federal ocorreu no mesmo dia.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que a formalização da emergência foi fundamental para permitir o acesso aos mecanismos extraordinários de apoio e liberação de recursos.

A declaração também abriu uma discussão sobre os procedimentos administrativos e a necessidade de maior rapidez na articulação entre os governos durante situações de calamidade ambiental.

Imagem: Bairros de Educandos e Santa Luzia (Manaus), cobertos de fumaça hoje (12/10). Imagem: Equipe do Portal.
Imagem: Bairros de Educandos e Santa Luzia (Manaus), cobertos de fumaça hoje (12/10). Imagem: Equipe do Portal.

Enquanto isso, a fumaça continua preocupando a população

A chegada das aeronaves ocorre em meio a uma situação preocupante para os moradores da capital e de outras regiões do Amazonas.

Manaus enfrentou sucessivos dias de fumaça intensa, com registros de qualidade do ar considerada péssima em diferentes pontos de monitoramento.

A crise levou inclusive à suspensão de eventos ao ar livre previstos para domingo (11) e segunda-feira (12), em razão dos riscos associados à exposição à fumaça.

A situação exige atenção especial com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias.

No interior, onde comunidades rurais e ribeirinhas enfrentam dificuldades de deslocamento e acesso aos serviços públicos, o combate aos incêndios também representa um desafio logístico.

Imagem: Divulgação (IBAMA).
Imagem: Divulgação (IBAMA).

Chegada confirmada, mas população precisa conhecer os resultados

A confirmação de que aeronaves federais chegaram ao Amazonas é uma informação importante e deve ser reconhecida.

Entretanto, permanecem questões relevantes para o acompanhamento da emergência.

Ainda é necessário esclarecer quantas aeronaves estão efetivamente realizando missões de combate, em quais municípios estão operando, quantos lançamentos de água foram executados e quais resultados já foram alcançados.

Também é fundamental acompanhar o deslocamento dos brigadistas e a integração das equipes federais com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

Até o fechamento deste levantamento, não havia sido localizado um balanço operacional consolidado referente às missões realizadas nesta segunda-feira (12).

O Portal Fonte Boa em Tempo continuará acompanhando a atuação das equipes, a situação da fumaça e as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis.

A população amazonense precisa de informações transparentes sobre os recursos mobilizados, o andamento das operações e, principalmente, a redução dos incêndios que ameaçam o meio ambiente e a saúde pública.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo / gov.br / IBAMA/ CBMAM

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