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Uma operação realizada pela Base Arpão colocou Coari no centro das atenções da Justiça Eleitoral nesta reta final da campanha para as Eleições 2026. A ação resultou na apreensão de aproximadamente 595 litros de gasolina, quatro embarcações, cinco aparelhos celulares, dois cadernos contendo registros de abastecimento, dinheiro e materiais de campanha eleitoral.
A ocorrência teve início na manhã de terça-feira (29/9), após denúncia sobre uma suposta distribuição de combustível em troca de votos em comunidades ribeirinhas do município.
Com apoio de drones, as equipes passaram a acompanhar a movimentação de embarcações na região. Durante as diligências, policiais encontraram duas embarcações realizando transbordo de gasolina. Uma terceira lancha teria tentado deixar o local ao perceber a aproximação policial, sendo posteriormente interceptada.
As equipes também se deslocaram até um pontão no Centro de Coari, onde outra embarcação foi encontrada durante abastecimento.
Segundo informações divulgadas sobre a ocorrência, foram apreendidos 13 galões contendo aproximadamente 595 litros de gasolina, além das quatro embarcações, celulares e dois cadernos com anotações relacionadas a abastecimentos.
Também foram encontrados materiais de propaganda eleitoral relacionados, entre outros, aos candidatos: Omar Aziz, Eduardo Braga, Adail Filho e Emanuel Pinheiro.
Dinheiro e registros serão analisados
Entre os materiais recolhidos também consta um comprovante financeiro no valor de R$ 3.581, associado a uma das embarcações, conforme relato publicado sobre a ocorrência.
Os responsáveis pelo combustível teriam informado durante a abordagem que a gasolina pertenceria à Prefeitura de Coari. Essa informação, entretanto, deverá ser objeto de investigação e comprovação documental pelas autoridades competentes.
Segundo os relatos da ocorrência, o abastecimento seria registrado manualmente em cadernos para posterior pagamento.
A presença conjunta de combustível, registros de abastecimento, embarcações, celulares e material político levou todo o conjunto apreendido para análise das autoridades.
Suspeita de possível crime eleitoral
A operação teve origem justamente em uma denúncia de que combustível estaria sendo distribuído em troca de votos.
Até o momento, porém, a apreensão dos materiais não significa, por si só, que tenha ocorrido compra de votos ou abuso de poder econômico, nem permite atribuir responsabilidade automaticamente aos candidatos cujos materiais de campanha foram encontrados.
Será necessário esclarecer a origem e o destino do combustível, quem financiava os abastecimentos, quem seriam seus destinatários e se existia eventual finalidade eleitoral.
A Justiça Eleitoral deverá analisar os elementos recolhidos, incluindo os cadernos de registros e os aparelhos celulares apreendidos.
Oposição formaliza denúncia
Diante da repercussão do episódio, integrantes da oposição se anteciparam e formalizaram denúncia eleitoral, levantando suspeitas de possível abuso de poder econômico e compra de votos.
As acusações apresentadas pela oposição, contudo, ainda dependem de apuração e eventual comprovação perante a Justiça Eleitoral, cabendo às autoridades determinar se os fatos configuram ou não ilícito eleitoral e se existe alguma ligação entre a ocorrência e candidaturas específicas.
A jurisprudência eleitoral exige elementos probatórios consistentes para caracterizar abuso de poder econômico, especialmente demonstração da gravidade da conduta e de sua relação com eventual benefício eleitoral.
Seis homens levados à delegacia
Os seis homens abordados durante a operação foram encaminhados à delegacia juntamente com as embarcações e os materiais apreendidos para os procedimentos legais.
O material permanece à disposição das autoridades e poderá servir de base para aprofundar as investigações.
Caso ocorre em momento político movimentado em Coari
A nova ocorrência acontece poucas semanas depois de Coari ter sido alvo da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de setembro.
A investigação federal apura suspeitas envolvendo fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à administração municipal. Na ocasião, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, e o prefeito Adail Pinheiro chegou a ser afastado cautelarmente do cargo. Posteriormente, as medidas que impediam seu exercício da Prefeitura foram revogadas.
A Operação Dinastia do Lago e a ocorrência eleitoral desta semana são procedimentos distintos e não devem ser tratados como comprovação recíproca de irregularidades.
Agora, no caso da apreensão de combustível e material político, caberá à Justiça Eleitoral esclarecer se houve apenas transporte e abastecimento relacionados à atividade política regular ou se os elementos encontrados fazem parte de eventual esquema de concessão de vantagens a eleitores.
Até que as investigações avancem e haja manifestação das autoridades competentes, prevalece a presunção de inocência dos envolvidos e dos candidatos mencionados.