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Quarta-feira, 14 de Outubro 2026
Amazonas

FALSOS PESCADORES ESTÃO NA MIRA DO TCU: auditoria aponta suspeitas bilionárias e acende alerta no Amazonas

Investigação nacional identifica 101 mil benefícios com indícios de irregularidades; Amazonas passou por quase 100 mil atendimentos de verificação, enquanto Fonte Boa registrou 834 pescadores beneficiados em agosto de 2026.

FALSOS PESCADORES ESTÃO NA MIRA DO TCU: auditoria aponta suspeitas bilionárias e acende alerta no Amazonas
Imagem ilustrativa: IA / Portal Fonte Boa em Tempo.
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Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Seguro-Defeso colocou novamente em discussão a existência de pessoas que podem estar recebendo o benefício sem exercer efetivamente a pesca artesanal.

O levantamento nacional, divulgado nesta semana, identificou aproximadamente 101,2 mil benefícios com indícios de irregularidades, envolvendo um impacto financeiro potencial de R$ 654 milhões. Uma estimativa mais ampla aponta a possibilidade de até R$ 3 bilhões em pagamentos indevidos no exercício de 2024.

Os números não representam fraudes definitivamente comprovadas, mas revelam problemas nos mecanismos de cadastramento e fiscalização que precisam ser esclarecidos.

Amazonas passou por ampla verificação de pescadores

No Amazonas, a fiscalização do Seguro-Defeso ganhou reforço com a realização de entrevistas presenciais e cruzamento de informações cadastrais.

Segundo balanço federal divulgado em junho de 2026, foram registrados 91.918 requerimentos em 33 municípios amazonenses, enquanto o número de atendimentos presenciais chegou a 98.367.

A operação contou com 96 agentes e teve como objetivo verificar as informações dos requerentes e reduzir o risco de pagamentos a pessoas que não atendem às exigências legais.

É importante esclarecer que esses atendimentos não correspondem a fraudes identificadas. São procedimentos administrativos de verificação dos pedidos.

Fonte Boa: benefício movimenta mais de R$ 1,4 milhão

Em Fonte Boa, município localizado na calha do Rio Solimões, os dados de agosto de 2026 apontam 834 pescadores atendidos pelo Seguro-Defeso, com pagamentos que somaram aproximadamente R$ 1,4 milhão no período informado.

Os números evidenciam a importância do programa para a economia local, especialmente nas comunidades ribeirinhas, onde a pesca artesanal representa uma das principais atividades de subsistência e geração de renda.

Entretanto, os dados disponíveis não permitem afirmar quantos beneficiários de Fonte Boa, se houver, apresentam irregularidades cadastrais.

O município também integrou a relação de localidades priorizadas pelo Governo Federal para as entrevistas presenciais de verificação.

Médio e Alto Solimões também estão no alcance das verificações

Além de Fonte Boa, municípios como Tefé, Jutaí, Coari, Codajás, Maraã, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Benjamin Constant e Tabatinga foram incluídos nas ações de verificação do Seguro-Defeso.

A inclusão dessas cidades não significa que tenham sido identificadas fraudes. Trata-se de uma medida de fiscalização e conferência das condições de acesso ao benefício.

Até o momento, não foi identificado no material público consultado um levantamento da auditoria nacional que discrimine a quantidade de benefícios suspeitos por município do Solimões.

Quem são os chamados falsos pescadores?

A expressão é utilizada para se referir a pessoas que eventualmente se apresentam como pescadores artesanais para obter o benefício, embora não preencham os requisitos legais.

Entre os indícios investigados estão a existência de vínculos de emprego incompatíveis, inconsistências no CPF, participação em atividades empresariais e recebimento de benefícios em situações não permitidas.

Essas ocorrências precisam ser analisadas individualmente, pois uma inconsistência cadastral não significa automaticamente a prática de fraude.

Pescadores no Amazonas (Foto: Divulgação/Sepror)
Pescadores no Amazonas (Foto: Divulgação/Sepror)

Pescador verdadeiro precisa ser protegido

Para as famílias que vivem da pesca nos rios e lagos do Amazonas, o Seguro-Defeso representa uma proteção financeira durante o período de reprodução das espécies.

Por isso, a fiscalização deve identificar possíveis irregularidades sem prejudicar trabalhadores que dependem legitimamente do benefício.

O desafio das autoridades é impedir pagamentos indevidos, garantir a correta aplicação dos recursos públicos e evitar que pescadores artesanais sejam penalizados por erros administrativos.

Transparência sobre os números do Amazonas

Diante da repercussão nacional da auditoria, uma pergunta permanece sem resposta: quantos dos benefícios com indícios de irregularidades identificados pelo TCU estão relacionados ao Amazonas e, especificamente, aos municípios do Médio e Alto Solimões?

A divulgação de informações regionalizadas que permitam à população conhecer a dimensão das inconsistências, sem exposição indevida de beneficiários ou acusações sem comprovação, são muito importante.

A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos da auditoria e as medidas adotadas pelos órgãos federais responsáveis pelo Seguro-Defeso.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo / (TCU) / (MTE)/ (MTE); Fundacentro; Plataforma Cofre Público, com informações sobre pagamentos do Seguro-Defeso em Fonte Boa (AM).

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