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A população de Manaus voltou a enfrentar, nesta sexta-feira (16), mais um dia de preocupação com a qualidade do ar. Depois de uma breve melhora registrada na quinta-feira (15), a fumaça proveniente das queimadas voltou a encobrir a capital amazonense, colocando novamente a cidade na primeira posição entre as capitais brasileiras com pior qualidade do ar, conforme o ranking consultado naquela manhã.
De acordo com informações divulgadas pelo g1 Amazonas, por volta das 6h, a plataforma internacional IQAir registrava índice de qualidade do ar de 167 pontos, classificado como insalubre.
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também identificou condições preocupantes, com registros classificados entre muito ruins e péssimos em diferentes bairros da cidade.
Melhora durou pouco e fumaça voltou a preocupar
Na quinta-feira (15), a dispersão parcial da fumaça havia proporcionado uma melhora temporária na qualidade do ar. Entretanto, o cenário mudou novamente nesta sexta-feira.
O retorno da poluição demonstra que o problema continua longe de uma solução definitiva, especialmente enquanto persistirem os incêndios florestais e as condições atmosféricas que favorecem o transporte da fumaça.
Segundo boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas, divulgado em 15 de outubro, Manaus já enfrentava oito dias consecutivos de um episódio de fumaça, com concentrações elevadas de partículas finas em estações de monitoramento.
Queimadas no interior também afetam a capital
A Prefeitura de Manaus informou que parte da fumaça que atinge a cidade é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, especialmente nas regiões Leste e metropolitana, além de incêndios registrados em outros estados.
A situação demonstra que a poluição atmosférica não respeita limites municipais. Dependendo da direção dos ventos e das condições meteorológicas, a fumaça pode percorrer grandes distâncias e comprometer a qualidade do ar em localidades afastadas dos focos de incêndio.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), citados em levantamento publicado pelo UOL, apontaram 1.558 focos de calor no Amazonas nos primeiros 12 dias de outubro de 2026, contra 874 registrados durante todo o mês de outubro de 2025.
Escolas e atividades públicas sofrem consequências
A gravidade da situação levou autoridades municipais e estaduais a adotarem medidas preventivas.
A Prefeitura de Manaus determinou a suspensão de atividades ao ar livre e em locais de aglomeração entre os dias 14 e 18 de outubro, incluindo espaços como o Parque Municipal do Idoso, o parque Gigantes da Floresta e o parque Cidade da Criança.
Na educação, a fumaça também provocou interrupções das atividades presenciais. A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) anunciou a suspensão das aulas estaduais na quinta-feira (15), em Manaus e localidades afetadas do interior.
Municípios como Autazes, Nova Olinda do Norte e Itacoatiara também registraram alterações nas atividades escolares em razão das condições atmosféricas.
O perigo invisível que entra nos pulmões
Além da fumaça visível, uma das maiores preocupações dos especialistas está relacionada às partículas finas conhecidas como PM2,5.
Essas partículas são extremamente pequenas e conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo agravar doenças pulmonares e cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite e outras condições respiratórias precisam de atenção especial.
A exposição prolongada pode provocar irritação nos olhos, tosse, desconforto na garganta, dificuldade para respirar e agravamento de doenças preexistentes.
Como se proteger enquanto a fumaça persistir
A população deve evitar exercícios e atividades físicas ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça, manter portas e janelas fechadas quando o ar externo estiver muito poluído e utilizar máscaras PFF2 ou N95 bem ajustadas quando precisar sair.
É importante manter a hidratação e observar sintomas respiratórios, especialmente em crianças e idosos.
Em situações de falta de ar intensa, dor no peito ou agravamento importante dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
População espera por alívio, mas problema exige solução duradoura
A possibilidade de chuva nos próximos dias representa uma expectativa de melhora temporária das condições atmosféricas em Manaus.
Entretanto, a precipitação não garante o fim do problema. Enquanto os incêndios continuarem ativos e houver transporte de fumaça para a capital, novos episódios de poluição poderão ocorrer.
A situação reforça a necessidade de manter as operações de combate às queimadas, ampliar a fiscalização e assegurar que a população receba informações atualizadas sobre a qualidade do ar.
O Portal Fonte Boa em Tempo continuará acompanhando os boletins oficiais, as operações de combate aos incêndios e os impactos da fumaça na saúde da população amazonense.