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Rodada de Negócios em Tefé abre mercado para produtores de pirarucu do Médio Solimões

Evento aproxima comunidades de compradores e abre oportunidades para manejadores de Fonte Boa e de outros municípios da região

Rodada de Negócios em Tefé abre mercado para produtores de pirarucu do Médio Solimões
Imagem: Arquivo Instituto Mamirauá.
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Produtores e comunidades que trabalham com o manejo sustentável do pirarucu no Médio Solimões terão uma importante oportunidade de ampliar mercados e negociar diretamente com compradores durante a XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável, marcada para o próximo dia 27 de agosto, em Tefé, no Amazonas.

O encontro ganha importância especial para os municípios da região, entre eles Fonte Boa, onde a pesca e o manejo dos recursos naturais representam importantes fontes de trabalho, alimentação e renda para famílias das comunidades ribeirinhas.

A proposta é colocar frente a frente os produtores e potenciais compradores, como distribuidores, supermercados, restaurantes e empresas do setor alimentício, reduzindo intermediários e permitindo que os próprios manejadores participem diretamente das negociações de sua produção.

A participação é gratuita e aberta a empresas de todos os portes.

Oportunidade para produtores de Fonte Boa

Para os manejadores de Fonte Boa e dos demais municípios do Médio e Alto Solimões, iniciativas dessa natureza representam uma oportunidade de fortalecer a comercialização regional do pescado e ampliar o acesso a mercados que valorizam produtos com origem comprovada e produzidos de maneira sustentável.

O pirarucu faz parte da realidade econômica e cultural das populações ribeirinhas. No modelo de manejo, as próprias comunidades participam da proteção dos ambientes aquáticos, da contagem dos peixes e da organização da pesca autorizada, transformando a conservação dos estoques pesqueiros em alternativa de geração de renda.

Nesse contexto, aproximar os produtores locais diretamente dos compradores é considerado um passo importante para aumentar a participação das comunidades na definição das condições comerciais e no destino de sua produção.

Além da venda do pescado, a Rodada de Negócios movimenta uma cadeia muito maior. Empresas e trabalhadores que atuam com embarcações, gelo, combustível, alimentação, materiais de pesca, transporte e outros serviços também podem participar das articulações.

Esse conjunto de atividades tem impacto especialmente importante nos municípios do interior, onde a pesca movimenta diferentes setores da economia durante o período de manejo e comercialização.

Safra de 2026 pode chegar a 630 toneladas

A edição deste ano marca o início da comercialização da safra de pirarucu de manejo de 2026. A previsão apresentada pelos organizadores é de aproximadamente 630 toneladas de pescado.

Mais de 60% dessa produção deverá estar disponível para negociação durante a Rodada de Negócios, colocando o encontro entre os principais espaços de articulação comercial do pirarucu manejado na região.

A produção também será comercializada por outros canais, incluindo feiras, a Marca Coletiva Gosto da Amazônia e a Indicação Geográfica Mamirauá.

Na edição de 2025, o evento reuniu representantes de 18 grupos de manejo, envolvendo 45 comunidades e aproximadamente 940 manejadores e manejadoras do Médio Solimões.

Comunidades ganham espaço nas negociações

A Rodada de Negócios chega à 18ª edição buscando fortalecer justamente o protagonismo dos produtores.

A negociação direta permite que representantes das comunidades apresentem sua produção, conheçam as necessidades do mercado e estabeleçam acordos com empresas interessadas na aquisição do pescado.

“A Rodada de Negócios é muito mais do que um espaço para comercialização da produção anual. É o momento em que aproximamos diretamente as comunidades manejadoras dos compradores, fortalecendo relações comerciais de longo prazo e demonstrando que é possível conciliar conservação da biodiversidade, geração de renda e desenvolvimento sustentável na Amazônia”, afirma Ana Cláudia Gonçalves, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.

Após o evento, o Instituto Mamirauá continuará acompanhando as negociações, oferecendo suporte para elaboração dos contratos de compra e venda e orientações relacionadas à documentação necessária para trânsito e comercialização da produção e declaração de estoque.

Modelo recuperou estoques e gerou renda

O manejo sustentável do pirarucu tornou-se uma das principais experiências de conservação associada à geração de renda na Amazônia.

Segundo os dados apresentados pelo Instituto Mamirauá, nas áreas assessoradas pela instituição e por organizações parceiras, a população de pirarucu aumentou cerca de 620% desde o início do programa de manejo.

A atividade também já teria movimentado mais de R$ 40 milhões em renda para as comunidades envolvidas.

O resultado é fruto de mais de 25 anos de trabalho envolvendo pesquisadores, técnicos, pescadores e moradores das comunidades amazônicas.

Além do crescimento dos estoques, houve recuperação do tamanho dos animais encontrados nas áreas manejadas. Atualmente, os pirarucus capturados apresentam comprimento médio de 1,72 metro, com registros de exemplares superiores a 2,40 metros.

Conservação que coloca renda dentro das comunidades

O modelo de manejo representa uma mudança importante na relação entre conservação e atividade econômica. Em vez de excluir as populações tradicionais do processo de proteção ambiental, coloca pescadores e moradores das comunidades como protagonistas na conservação dos lagos e dos estoques pesqueiros.

Cada exemplar comercializado é proveniente de áreas onde a pesca segue critérios técnicos, acompanhamento e regras específicas, permitindo maior controle da origem do pescado.

Para municípios como Fonte Boa, cercados por rios, lagos e comunidades cuja economia mantém forte ligação com a pesca, fortalecer esse modelo significa também discutir maneiras de fazer com que uma parcela cada vez maior da riqueza gerada pelo pescado permaneça nas próprias comunidades produtoras.

É justamente essa aproximação entre quem produz no interior da Amazônia e quem compra nos grandes centros consumidores que a Rodada de Negócios pretende ampliar.

Projeto Entre Águas Amazônicas

Nos últimos dois anos, a Rodada passou a integrar o Projeto Entre Águas Amazônicas, executado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

O projeto busca fortalecer a gestão participativa dos recursos naturais, a conservação da biodiversidade e a manutenção dos estoques de carbono em áreas protegidas do Amazonas, Pará e Amapá.

Também há um trabalho voltado ao fortalecimento das organizações comunitárias para que possam conquistar maior autonomia na relação com empresas e compradores.

Nesse processo participa a Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (FEMAPAM), formada por associações comunitárias, pescadores, manejadores e comunidades ribeirinhas.

Para Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, o crescimento da procura por alimentos produzidos de maneira sustentável representa uma oportunidade para as populações amazônicas ampliarem mercados e fortalecerem seus meios de vida.

SERVIÇO

XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável

Data: 27 de agosto de 2026
Horário: a partir das 8h
Local: Salão de Festas Regis Buffet
Endereço: Rua Capitão José Patrício, nº 448, Centro – Tefé (AM)
Participação: gratuita e aberta a empresas interessadas na cadeia produtiva do pirarucu sustentável.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo / Instituto Mamirauá.

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