Aguarde, carregando...

Terça-feira, 06 de Outubro 2026
Amazonas

Solimões ainda vai baixar mais? Outubro entra no período decisivo da vazante no Amazonas

Em Fonte Boa e no Médio Solimões, rio ainda pode perder nível nas próximas semanas; dados históricos indicam que sinais de estabilização e recuperação podem começar entre a segunda quinzena de outubro e o início de novembro.

Solimões ainda vai baixar mais? Outubro entra no período decisivo da vazante no Amazonas
Imagem: Arquivo Fonte Boa em Tempo.
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

Quem mora na beira do rio já está fazendo a pergunta que se repete todos os anos nesta época: até onde o Solimões ainda vai baixar e quando essa vazante finalmente vai parar?

Com a chegada de outubro, a resposta começa a ficar mais próxima.

O rio Solimões entrou justamente no período mais crítico de sua vazante anual. Dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e previsões climáticas indicam que outubro será decisivo para definir o tamanho da estiagem de 2026.

Para Fonte Boa e municípios do Médio Solimões, ainda existe possibilidade de novas descidas antes de o rio alcançar seu ponto mínimo.

A notícia um pouco melhor é que, pelo comportamento histórico do Solimões, já estamos entrando na reta final da vazante.

Quando o rio pode começar a melhorar em Fonte Boa?

Não existe uma data exata em que seja possível afirmar que o Solimões começará definitivamente a subir.

O comportamento do rio depende principalmente das chuvas que caem milhares de quilômetros acima de Fonte Boa, incluindo o Alto Solimões e as regiões formadoras da bacia.

Mas os dados históricos permitem estabelecer uma janela.

Em Tabatinga, no Alto Solimões, o período das menores cotas historicamente ocorre entre setembro e outubro. O próprio Serviço Geológico do Brasil considera em suas projeções que, a partir da primeira quinzena de outubro, o processo de enchente normalmente já costuma estar iniciado naquela região.

A água que começa a chegar ao Alto Solimões leva algum tempo para produzir reflexos mais perceptíveis rio abaixo.

Por isso, considerando o comportamento histórico da bacia, Fonte Boa poderá começar a apresentar sinais mais consistentes de estabilização ou recuperação entre a segunda quinzena de outubro e o começo de novembro.

Isso não significa que o rio necessariamente começará uma subida contínua nesse período.

Podem ocorrer os conhecidos repiquetes: o rio sobe alguns centímetros, estabiliza e pode voltar a baixar antes que a enchente se consolide.

Portanto, para o ribeirinho de Fonte Boa, a mensagem neste início de outubro é: ainda não acabou a vazante, mas estamos entrando no período em que a situação tende a começar a virar.

Fonte Boa ainda pode ver o Solimões baixar

Em setembro, o monitoramento do SGB mostrava que o Solimões continuava em processo de vazante em toda a calha.

No início daquele mês, a estação de Fonte Boa registrava 14,57 metros, depois de uma redução de 57 centímetros em uma semana.

Apesar da forte descida, o SGB classificava naquele momento o comportamento da bacia do Solimões como dentro da normalidade para o período.

Monitoramentos posteriores continuaram indicando a vazante na calha, mas ainda dentro do comportamento esperado para esta época do ano.

Isso é importante porque diferencia o cenário atual de uma afirmação de que Fonte Boa necessariamente enfrentará uma seca recorde.

Até o momento, os dados disponíveis não permitem fazer essa afirmação.

Mais abaixo, a vazante demora mais para terminar

O comportamento do Solimões funciona como uma espécie de onda descendo a bacia.

Enquanto no Alto Solimões as menores cotas geralmente aparecem entre setembro e outubro, em estações mais abaixo a situação muda.

Segundo o SGB, em Itapéua, no município de Coari, e em Manacapuru, as menores cotas históricas costumam ocorrer entre outubro e novembro.

Isso ajuda a entender por que o rio pode começar a apresentar recuperação primeiro na região de Tabatinga enquanto continua baixando durante algum tempo no Médio e Baixo Solimões.

Outubro ainda preocupa por causa das chuvas

Existe, entretanto, um fator que exige cautela.

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para outubro de 2026 aponta tendência de chuvas abaixo da média em setores da Região Norte.

Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, também existem áreas da Região Norte com previsão de precipitação abaixo da média histórica.

Além disso, órgãos federais acompanham em 2026 a atuação do El Niño, fenômeno que pode alterar a distribuição das chuvas e aumentar o déficit hídrico em partes do país.

Isso significa que a recuperação dos rios pode não ocorrer rapidamente.

Mesmo que o Alto Solimões comece a reagir nas próximas semanas, será necessário acompanhar o volume e a distribuição das chuvas nas cabeceiras e nos principais afluentes.

Para quem vive no interior, centímetros fazem diferença

Para quem observa o rio apenas de longe, uma queda de alguns centímetros pode parecer pouca coisa.

Para quem vive no interior do Amazonas, é diferente.

Cada centímetro pode representar mudança no acesso a uma comunidade, aparecimento de bancos de areia, dificuldade para pequenas embarcações, necessidade de alteração de rotas e aumento do tempo de viagem.

Com a vazante, paranás, lagos, furos e igarapés podem ficar cada vez mais difíceis de acessar.

O impacto chega ao transporte de passageiros, mercadorias, combustível e alimentos e atinge diretamente pescadores, agricultores e famílias das comunidades ribeirinhas.

Em alguns locais, a embarcação deixa de chegar próximo das casas e o restante do percurso passa a ser feito a pé, muitas vezes carregando compras, botijas de gás, água e outros produtos.

Então, quando vem o alívio?

Com base no comportamento histórico do rio e nas informações disponíveis neste início de outubro, é possível resumir assim:

Até aproximadamente a metade de outubro: a vazante ainda merece atenção e o Solimões pode continuar baixando em Fonte Boa.

Da segunda quinzena de outubro em diante: aumenta a possibilidade de estabilização e dos primeiros reflexos da recuperação iniciada no Alto Solimões.

Entre o fim de outubro e novembro: cresce historicamente a possibilidade de a vazante perder força e começar a transição para o novo ciclo de enchente no Médio Solimões.

Mas essa é uma estimativa baseada no comportamento histórico da bacia, e não uma previsão de que o rio obrigatoriamente começará a subir em determinada data.

As chuvas das próximas semanas serão decisivas.

O rio ainda manda na vida do Solimões

Em Fonte Boa, Jutaí, Uarini, Tefé, Coari e tantos outros municípios da região, não é o calendário que determina completamente a rotina das pessoas.

É o rio.

Quando sobe, muda a vida. Quando baixa, muda novamente.

Outubro chega trazendo dificuldades, praias cada vez maiores, barrancos expostos e caminhos que antes eram feitos de canoa e agora começam a ser percorridos a pé.

Mas também marca a aproximação do fim de mais um ciclo.

Se o comportamento histórico se confirmar e as chuvas responderem nas cabeceiras, a segunda metade de outubro poderá começar a trazer os primeiros sinais de que o Solimões está chegando ao fim da vazante em sua parte mais alta, movimento que, posteriormente, deverá alcançar Fonte Boa.

Até lá, a palavra é acompanhamento.

O Portal Fonte Boa em Tempo seguirá monitorando os boletins oficiais e o comportamento do rio Solimões para informar quando os primeiros sinais mais seguros da enchente começarem a aparecer.

FONTE/CRÉDITOS: Redação fboa em Tempo / Serviço Geológico do Brasil (SGB), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR