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A polêmica envolvendo o envio de aeronaves federais para combater os incêndios florestais no Amazonas ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (9). O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Ximenes Muniz, apresentou documentos oficiais que confirmam a existência de um pedido formal de apoio ao Governo Federal e a resposta negativa recebida da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
A divulgação ocorreu depois que o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, contestou publicamente as declarações do comandante sobre a falta de atendimento à solicitação de aeronaves.
Os documentos apresentados pelo coronel mostram que o pedido foi encaminhado em 18 de setembro de 2026, enquanto a resposta da Senasp foi assinada em 1º de outubro, informando a impossibilidade de atendimento naquele momento.
A existência dos ofícios foi noticiada por diferentes veículos de comunicação, incluindo A Crítica, Rede Onda Digital e Imediato Online.
Documentos mostram o que foi solicitado
Na solicitação encaminhada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Corpo de Bombeiros pediu quatro aeronaves com capacidade aproximada de 3.200 litros de água cada, destinadas ao combate direto aos incêndios florestais, além de um avião do tipo Bandeirante para transporte de militares e equipamentos.
O pedido também contemplava viaturas, incluindo caminhonetes e caminhões, para ampliar a capacidade de resposta das equipes.
A corporação justificou a necessidade dos equipamentos pelas características geográficas do Amazonas, onde as grandes distâncias, a limitada malha rodoviária e a redução do nível dos rios durante a estiagem dificultam o deslocamento dos bombeiros até as áreas atingidas.
O apoio aéreo foi apresentado como uma necessidade operacional para alcançar localidades isoladas e reduzir os danos provocados pelo avanço das chamas.
Resposta federal confirmou impossibilidade de atendimento
O documento de resposta foi assinado pelo secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, e informou que a solicitação não poderia ser atendida naquele momento.
O ofício registra:
“Dessa forma, registro a impossibilidade, no momento, de atendimento ao pleito, considerando, ainda, a indisponibilidade de bens dessa natureza aptos para doação.”
A Senasp também apontou possibilidades de obtenção de recursos por meio de editais, do Fundo Nacional de Segurança Pública e de emendas parlamentares.
Entretanto, a resposta não apresentou uma avaliação individualizada de todas as alternativas mencionadas na solicitação, como locação, cessão de equipamentos e contratação de horas de voo.
Ibama contesta comandante e anuncia reforço
Antes da divulgação dos documentos, o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, havia contestado as declarações do comandante, sustentando que o Governo Federal já vinha oferecendo apoio ao estado.
Segundo Joel, foram disponibilizados R$ 45 milhões, por meio do Fundo Amazônia, para investimentos em ações de combate a incêndios e desmatamento, incluindo contratação de brigadistas e aquisição de equipamentos.
O superintendente também anunciou a previsão de chegada de quatro aviões de combate ao fogo neste sábado (10).
Em nota oficial divulgada na noite de sexta-feira, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que o Ibama havia extinguido 229 incêndios no Amazonas desde o início da temporada e continuava atuando em outros 20 incêndios ativos.
O comunicado reforçou que o Governo Federal mantém operações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais no estado.
Comandante reage e afasta motivação política
Diante da repercussão, o coronel Muniz divulgou nas redes sociais os documentos relacionados à solicitação e à resposta recebida.
O comandante defendeu a veracidade de suas declarações e afirmou que sua atuação não está vinculada a interesses partidários.
“Não seria irresponsável ou leviano de falar algo que não tivesse base na legalidade. Jamais pautei minha conduta por movimentos políticos de qualquer natureza”, declarou.
A manifestação buscou esclarecer que a afirmação sobre a negativa federal estava fundamentada em uma comunicação oficial recebida pelo Corpo de Bombeiros.
O que os documentos esclarecem e o que ainda precisa ser explicado
A documentação apresentada pelo comandante confirma que houve um pedido formal e uma resposta da Senasp informando a impossibilidade de atendimento naquele momento.
Por outro lado, as informações divulgadas pelo Ibama demonstram que existem ações federais de combate aos incêndios em andamento no Amazonas.
Permanece, entretanto, uma questão importante: por que o pedido emergencial apresentado pelos Bombeiros não recebeu uma solução operacional imediata por meio das alternativas de contratação, cessão ou disponibilização temporária de aeronaves?
Também será necessário verificar a chegada e a efetiva entrada em operação das aeronaves anunciadas pelo Ibama, bem como sua capacidade de atender às regiões mais atingidas.
Enquanto autoridades divergem, a população enfrenta os efeitos da fumaça
A discussão acontece em um momento de agravamento dos impactos das queimadas sobre a população amazonense.
Nesta sexta-feira, a fumaça provocou a suspensão de atividades presenciais em instituições de ensino de Manaus. O Ministério Público do Amazonas também anunciou a mobilização de promotorias da capital e dos 61 municípios do interior para enfrentar a emergência ambiental.
Para quem vive nas cidades e comunidades ribeirinhas, o problema vai muito além da divergência entre autoridades. Os incêndios ameaçam a vegetação, os animais, as propriedades rurais e a saúde das famílias que convivem diariamente com a fumaça.
A necessidade de equipamentos e de integração entre os órgãos públicos torna-se ainda mais evidente nas localidades de difícil acesso, onde o deslocamento das equipes pode depender exclusivamente de embarcações ou aeronaves.
O que realmente importa é combater o fogo
O Portal Fonte Boa em Tempo considera fundamental que os esclarecimentos sobre os pedidos, as respostas e os recursos destinados ao combate às queimadas sejam acompanhados de medidas concretas.
Os documentos divulgados pelo coronel Muniz sustentam sua declaração sobre a negativa recebida da Senasp. Ao mesmo tempo, as ações anunciadas pelo Ibama precisam ser acompanhadas para verificar quando e onde os reforços estarão efetivamente disponíveis.
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