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O Amazonas enfrenta novamente os desafios provocados pelas queimadas e pela fumaça que compromete a qualidade do ar, especialmente em Manaus. Em meio à preocupação da população, uma declaração do comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, trouxe à tona um problema que, segundo ele, já havia ocorrido anteriormente: a falta de atendimento aos pedidos de apoio aéreo federal para combater incêndios florestais no estado.
Em entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica, nesta sexta-feira (9), o comandante afirmou que o Governo Federal não atendeu à solicitação encaminhada em setembro para disponibilizar quatro aeronaves destinadas às operações contra incêndios florestais.
O coronel também revelou que uma solicitação semelhante já havia sido feita em 2024, durante outro período crítico de queimadas, mas igualmente não foi atendida.
Duas solicitações, dois anos diferentes e o mesmo problema
A declaração chama atenção porque evidencia uma dificuldade recorrente enfrentada pelas equipes que atuam no combate ao fogo na maior floresta tropical do planeta.
Segundo Muniz, a corporação recebeu resposta negativa ao pedido mais recente, informando que não seria possível disponibilizar o apoio solicitado.
“Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo, mais uma vez, que o Estado do Amazonas precisa somar esforços com o governo federal para fazer um enfrentamento qualificado”, declarou o comandante.
O relato aponta para uma questão que merece esclarecimento: quais foram os motivos que impediram o atendimento das solicitações feitas em 2024 e 2026?
Até o momento, nas informações apresentadas à reportagem, não há detalhamento da justificativa federal para a negativa mais recente.
Governo do Amazonas contrata aeronave para reforçar operações
Diante da impossibilidade de contar com as quatro aeronaves solicitadas, o Governo do Amazonas contratou uma aeronave para ampliar a capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros.
Segundo o comandante, o equipamento começou a operar na quinta-feira (8), com atuação na região do Distrito Industrial, em Manaus, e mobilização para ocorrências em Iranduba, na Região Metropolitana.
O reforço aéreo é considerado importante para alcançar locais onde o acesso terrestre é limitado, permitindo maior agilidade no deslocamento das equipes e no enfrentamento dos focos de incêndio.
Na Amazônia, combater o fogo exige enfrentar grandes distâncias
A realidade geográfica do Amazonas impõe dificuldades particulares às operações de combate a incêndios florestais.
Em diversas regiões, o deslocamento depende de rios, estradas precárias ou longas caminhadas pela floresta. Nessas condições, o apoio de aeronaves pode fazer diferença na chegada das equipes aos locais atingidos.
Muniz destacou que a corporação ampliou sua estrutura no interior, passando de 11 para mais de 25 municípios com quartéis, além de incorporar novas viaturas.
Entretanto, o comandante reconheceu que o reforço terrestre não substitui a necessidade de apoio aéreo nas áreas mais isoladas.
Fumaça preocupa população e amplia necessidade de resposta
Além dos prejuízos ambientais, as queimadas representam uma preocupação para a saúde pública.
A fumaça pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares ou cardiovasculares.
A situação exige ações coordenadas de prevenção, fiscalização e combate, envolvendo diferentes esferas do poder público.
Negativa federal levanta questionamentos sobre a cooperação
As declarações do comandante colocam em discussão a articulação entre os governos estadual e federal no enfrentamento dos incêndios florestais.
A Constituição brasileira estabelece competências compartilhadas na proteção ambiental, o que torna a cooperação entre os entes federativos especialmente importante em situações de emergência.
Entretanto, é necessário distinguir a negativa ao fornecimento das quatro aeronaves solicitadas da eventual existência de outras ações federais no Amazonas. A declaração do comandante não permite concluir que todo o apoio federal ao combate às queimadas tenha sido negado.
Permanecem questões importantes: por que os pedidos de apoio aéreo não foram atendidos? Havia aeronaves disponíveis? Foram oferecidas alternativas operacionais ao estado?
O fogo não espera por decisões administrativas
Enquanto os órgãos públicos discutem a disponibilidade de recursos, as equipes de combate continuam enfrentando as dificuldades impostas pelas distâncias e pelo acesso às áreas atingidas.
Para o Amazonas, onde comunidades inteiras dependem diretamente da floresta e dos rios, o enfrentamento das queimadas ultrapassa a questão ambiental e alcança a saúde, a economia e a segurança da população.
O Portal Fonte Boa em Tempo considera importante que os órgãos federais responsáveis esclareçam as razões pelas quais as solicitações de apoio aéreo relatadas pelo comandante não foram atendidas em 2024 e 2026, bem como informem quais recursos estão disponíveis para apoiar o estado.
A população amazonense precisa de respostas, planejamento e ações capazes de reduzir os impactos dos incêndios florestais.