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A redução do nível dos rios no Amazonas começa a colocar em alerta o abastecimento de combustível utilizado por usinas termelétricas que garantem o fornecimento de energia elétrica em municípios do interior. Com a aproximação do período mais crítico da estiagem, previsto para outubro e novembro, aumenta a preocupação com as condições de navegação e com a capacidade de transportar grandes volumes de óleo diesel para essas localidades.
O alerta parte das próprias empresas responsáveis pela operação de usinas termelétricas no estado. Segundo informações apresentadas pela VP Flexgen e pela Powertech, os pedidos de antecipação de recursos para a compra de combustível chegam a R$ 103,5 milhões, destinados à aquisição de aproximadamente 17 milhões de litros de diesel.
A medida busca formar estoques antecipadamente, justamente para evitar que a redução dos níveis dos rios comprometa o transporte do combustível quando a estiagem atingir seu período mais severo.
Empresas querem antecipar formação de estoques
A VP Flexgen solicitou, em junho, e reforçou o pedido em setembro, a liberação de R$ 71,3 milhões para a compra de aproximadamente 12,9 milhões de litros de diesel.
A empresa opera usinas termelétricas em cinco municípios amazonenses: Humaitá, Nova Olinda do Norte, Borba, São Gabriel da Cachoeira e Autazes.
Já a Powertech solicitou, em agosto, recursos para a aquisição de aproximadamente 4,2 milhões de litros de diesel.
Somados, os pedidos representam cerca de 17 milhões de litros de combustível, volume considerado estratégico para garantir o funcionamento das usinas durante o período de maior dificuldade de navegação.
Rios baixos podem complicar transporte
No Amazonas, grande parte da logística de abastecimento do interior depende dos rios. Quando os níveis diminuem, embarcações podem encontrar restrições para navegar com grandes cargas, aumentando o tempo de viagem e dificultando a chegada de combustível aos municípios.
É justamente nesse ponto que está uma das principais preocupações das empresas.
Caso os estoques não sejam reforçados antes do agravamento da estiagem, eventuais dificuldades no transporte podem pressionar o abastecimento das usinas termelétricas e, consequentemente, representar risco para a continuidade do fornecimento de energia elétrica nas localidades atendidas.
Isso não significa que já exista uma previsão de interrupção do serviço. O alerta está relacionado ao risco logístico provocado pela combinação entre rios em níveis mais baixos, grandes distâncias e dependência do transporte fluvial para a chegada do diesel.
Recursos ainda dependem de análise
Os pedidos apresentados pelas empresas ainda estão sob análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Até o momento, não há confirmação de aprovação dos valores solicitados.
A antecipação dos recursos é defendida pelas empresas como uma forma de garantir que o combustível esteja disponível nos municípios antes que a estiagem torne o transporte ainda mais difícil.
O cenário chama atenção porque, em localidades onde a geração termelétrica depende diretamente do diesel, o combustível não é apenas um insumo operacional: ele é fundamental para manter as usinas funcionando e assegurar o fornecimento de energia à população.
Os dados foram divulgados inicialmente pela Folha de S.Paulo, com base nas informações apresentadas pela VP Flexgen e pela Powertech.
Com a aproximação de outubro e novembro, o acompanhamento dos níveis dos rios e da formação dos estoques de diesel passa a ser um dos pontos importantes para avaliar a segurança do abastecimento energético no interior do Amazonas.