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Uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF), a Polícia Nacional do Peru (PNP), por meio da Direção Antidrogas (DIRANDRO), e as Forças Armadas peruanas atingiu em cheio a estrutura de organizações criminosas que atuam na região amazônica.
Batizada de Operação Amazonía 2026, a ofensiva foi realizada na província de Mariscal Ramón Castilla, na região de Loreto, no Peru, área de fronteira com o Amazonas e próxima à região do Alto Solimões.
A operação teve como principal objetivo combater o tráfico internacional de drogas e outros crimes relacionados, além de desarticular estruturas utilizadas por organizações criminosas transnacionais para produzir, armazenar e transportar entorpecentes.
18 ações conjuntas e quatro pessoas detidas
Durante a operação, foram realizadas 18 ações policiais conjuntas, com emprego de aeronaves e embarcações para alcançar áreas de difícil acesso em meio à floresta amazônica.
Como resultado, quatro pessoas foram detidas, suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.
As equipes também destruíram 15 laboratórios clandestinos, cinco acampamentos utilizados por grupos criminosos e quatro pistas de pouso clandestinas, que poderiam ser utilizadas para o transporte de drogas e para a movimentação de integrantes das organizações criminosas.
Quase 12 toneladas de sulfato de cocaína destruídas
Um dos principais resultados da ofensiva foi a inutilização de 11.961 quilos de sulfato de cocaína em estado líquido.
Além da droga, as forças de segurança destruíram ou inutilizaram enormes quantidades de produtos químicos utilizados no processamento de entorpecentes.
Foram contabilizados:
- 53.862 quilos de insumos químicos fiscalizados;
- 28.096 quilos de insumos químicos não fiscalizados;
- 9,4 toneladas de folhas de coca, entre material fresco e seco.
Somados, os insumos químicos ultrapassam 81 toneladas, representando um forte golpe contra a estrutura de produção de drogas na região.
Armas, munições e equipamentos apreendidos
A operação também atingiu a estrutura armada e de comunicação dos grupos criminosos.
Ao todo, foram apreendidas 19 armas de fogo e 235 munições, além de 12 equipamentos de comunicação, entre celulares, rádios e dispositivos de internet via satélite.
As forças de segurança também destruíram 18 embarcações, uma motocicleta e uma draga que, segundo as autoridades, era utilizada em atividade de mineração ilegal.
Cooperação entre Brasil e Peru
A ofensiva contou com forte apoio logístico brasileiro para permitir o deslocamento das equipes até regiões isoladas da floresta.
O Brasil forneceu 24.578 litros de combustível para aeronaves e outros 4 mil litros para embarcações utilizadas durante as ações.
A cooperação também envolveu o intercâmbio de materiais para auxiliar nas investigações. Foram encaminhadas ao Brasil 65 amostras georreferenciadas de folhas de coca, enquanto o Peru recebeu dois materiais de referência certificados.
Fronteira é rota estratégica para o tráfico
A região de Loreto, no Peru, possui ligação direta com áreas de fronteira do Amazonas e integra uma extensa faixa utilizada por organizações criminosas envolvidas com o tráfico internacional de drogas.
Por meio das rotas terrestres, aéreas e principalmente fluviais, drogas produzidas em áreas da Amazônia peruana podem ser transportadas em direção ao território brasileiro, alcançando posteriormente outros mercados consumidores.
A proximidade com o Alto Solimões, onde estão municípios como Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte e outras cidades da região, aumenta a importância das ações integradas entre os dois países.
A Operação Amazônia 2026 reforça a cooperação internacional entre Brasil e Peru no combate ao crime organizado transnacional, ao tráfico ilícito de drogas e às estruturas clandestinas instaladas em áreas de difícil acesso da Amazônia.
A Polícia Federal divulgou os resultados da operação no dia 4 de setembro. As autoridades, no entanto, não informaram o período exato em que as ações foram realizadas nem divulgaram a identidade das quatro pessoas detidas.
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