O Exército Brasileiro informou que acompanha as denúncias sobre a suposta presença de homens armados em comunidades indígenas da região do Alto Rio Negro, no Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia. Os relatos, apresentados por lideranças indígenas às autoridades, apontam que os indivíduos seriam integrantes de grupos armados de origem colombiana.
A situação ganhou maior preocupação após denúncias dos povos indígenas da região mencionarem a possível entrada de um grande contingente de homens armados pela fronteira brasileira. Entre os relatos encaminhados às autoridades está a estimativa de que aproximadamente 2 mil guerrilheiros estariam atuando ou circulando na região.

O número, entretanto, não foi confirmado oficialmente pelas Forças Armadas ou pelos demais órgãos de segurança.
As denúncias também relatam ameaças contra moradores, restrições à circulação dentro do território indígena, invasão de áreas utilizadas pelas comunidades e instalação de estruturas clandestinas em pontos da região de fronteira.
Há ainda relatos de que lideranças indígenas teriam sido sequestradas e obrigadas a acompanhar integrantes desses grupos armados. A gravidade das informações levou órgãos federais a cobrarem providências para garantir a segurança das comunidades.
DPU cobra providências
A Defensoria Pública da União (DPU) já solicitou providências urgentes diante das denúncias e cobrou posicionamento das autoridades responsáveis pela defesa e segurança da fronteira, incluindo o Exército Brasileiro e o Ministério da Defesa.
A preocupação é principalmente com a integridade das populações indígenas que vivem em áreas isoladas e de difícil acesso, onde a presença permanente do Estado enfrenta grandes desafios logísticos.
Os relatos também chegaram ao conhecimento de outros órgãos federais, que acompanham a situação envolvendo a possível atuação de grupos armados estrangeiros dentro ou nas proximidades de terras indígenas brasileiras.
Exército diz que monitora região
Em resposta às denúncias, o Exército Brasileiro informou que acompanha as informações provenientes da Terra Indígena Alto Rio Negro e destacou a atuação do 6º Pelotão Especial de Fronteira (6º PEF), sediado em Pari-Cachoeira.
Segundo a instituição, militares do pelotão realizam regularmente atividades de reconhecimento, vigilância e patrulhamento na faixa de fronteira correspondente à sua área de responsabilidade.
O Exército informou ainda que mantém articulação com outros órgãos e agências responsáveis pelas ações de segurança e fiscalização na região, respeitando as atribuições de cada instituição.
A Força destacou que relatos relacionados à presença ou atuação de grupos potencialmente ameaçadores são acompanhados pelos canais de comando.
Presença de guerrilheiros ainda não foi confirmada
Apesar da gravidade das denúncias apresentadas pelas comunidades, até o momento não houve confirmação oficial, por parte do Exército, de que integrantes de grupos dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenham efetivamente ingressado em território brasileiro.
Também não foi anunciada, até agora, uma operação militar específica em resposta às denúncias.
As Farc assinaram um acordo de paz com o governo colombiano em 2016 e deixaram formalmente a luta armada. Entretanto, grupos dissidentes que não aderiram ao acordo ou posteriormente retornaram às armas continuam atuando em diferentes regiões da Colômbia, inclusive em áreas próximas às fronteiras internacionais.
Diante dos relatos vindos das comunidades indígenas, a situação no Alto Rio Negro permanece sob acompanhamento.
Enquanto as autoridades buscam verificar a dimensão e a veracidade das informações, cresce a preocupação das populações indígenas com a segurança das aldeias e com uma possível expansão da atuação de grupos armados estrangeiros na extensa e estratégica faixa de fronteira do Amazonas.
