Uma jovem de 20 anos, identificada como Cleiciane Rios dos Santos, foi encontrada morta na manhã desta segunda-feira (2) em uma área de mata localizada na Estrada Manuel Pedro, na Comunidade Repartimento do Tuiué, zona rural do município de Manacapuru, a cerca de 98 quilômetros de Manaus.
Cleiciane estava desaparecida desde o último sábado (31). O corpo foi localizado por moradores da região e apresentava sinais de extrema violência, com cortes profundos, além de indícios de abuso sexual, segundo informações preliminares.

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi registrada como “lesão traumática grave no pescoço, esgorjamento, lesões perfurocortantes e ferimentos por arma branca”, o que confirma a brutalidade do crime.

Confissão e execução
Horas após a localização do corpo da jovem, vídeos passaram a circular nas redes sociais mostrando um homem sendo agredido e executado com vários tiros na cabeça. A vítima foi identificada apenas como “Miqueias”, apontado por testemunhas como o principal suspeito do assassinato de Cleiciane.
Um vídeo obtido pela Polícia Civil do Amazonas mostra “Miqueias” confessando o crime. Nas imagens, ele afirma que estava alcoolizado e que tentou manter relação sexual com a jovem, mas que ela pediu para que ele parasse. Ainda segundo o relato, Cleiciane teria reagido com uma faca e o ferido na barriga. Revoltado, ele disse ter espancado e esfaqueado a vítima até a morte.
A suspeita é de que o homem tenha sido capturado, “julgado” e executado por integrantes de uma organização criminosa, em uma ação conhecida como “tribunal do crime”, prática recorrente em áreas dominadas por facções.
Investigações em andamento
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga os dois casos: o assassinato da jovem e a execução do suspeito. A Polícia Civil apura se a morte de “Miqueias” foi ordenada por uma facção criminosa e busca identificar os envolvidos na execução.
O caso causou forte comoção em Manacapuru e na região, reacendendo o debate sobre violência contra mulheres, crimes sexuais e a atuação de organizações criminosas que impõem “justiça” paralela no interior do Amazonas.
