Deputados federais e um senador do Amazonas aderiram aos pedidos de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central, e operações bilionárias suspeitas que podem ter causado prejuízos a fundos públicos e privados em todo o país.
Assinaram os requerimentos os deputados Amom Mandel (Cidadania), Alberto Neto (PL), Pauderney Avelino (União Brasil), Fausto Jr. (União Brasil) e o senador Plínio Valério (PSDB). As investigações miram, principalmente, os negócios realizados entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), além de aplicações feitas por fundos previdenciários regionais, como a Amazonprev, que investiu cerca de R$ 56 milhões na instituição.

Negócios bilionários e suspeitas graves
O pedido de CPI foi apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), com 201 assinaturas, número suficiente para a abertura da comissão. Segundo o parlamentar, a investigação pretende apurar possíveis irregularidades em operações financeiras comandadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Entre os pontos mais graves está a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito no valor de R$ 12 bilhões, que, segundo denúncias, não pertenciam ao Banco Master e não possuíam garantias reais. O prejuízo estimado para o banco público do Distrito Federal pode chegar a R$ 5 bilhões, dinheiro que, na prática, afeta diretamente o patrimônio público.
Impacto direto no Amazonas
No Amazonas, o caso gera ainda mais preocupação devido à aplicação feita pela Amazonprev, fundo de previdência dos servidores estaduais. Os R$ 56 milhões investidos no Banco Master agora entram no centro das investigações, levantando questionamentos sobre critérios, fiscalização e responsabilidade na gestão dos recursos dos servidores.
Para o deputado Pauderney Avelino, o caso é considerado “a maior fraude financeira da história do país”.
“Esse descalabro não pode ficar impune. Precisamos saber o tamanho do rombo, fruto da ganância que lesou correntistas, investidores em CDB e CDI, o FGC e fundos de previdência, como a Amazonprev, do meu estado”, afirmou.
Críticas à omissão política
O escândalo também expôs a omissão de parte da classe política, especialmente de autoridades que, mesmo diante de alertas e sinais de irregularidades, não se posicionaram publicamente nem cobraram explicações sobre a aplicação de recursos públicos no banco investigado.
O deputado Amom Mandel destacou que o Congresso não pode se omitir:
“Quando há indícios de operações que podem afetar o sistema financeiro e envolver relações de influência suspeitas, o Parlamento não pode ficar de braços cruzados. São decisões que impactam diretamente a vida do brasileiro.”
Nos bastidores de Brasília, o caso já é tratado como um dos maiores escândalos financeiros dos últimos anos, envolvendo bancos públicos, empresários influentes e possíveis falhas de fiscalização.
Próximos passos
Para que a CPI seja instalada oficialmente, o requerimento precisa ser lido em plenário pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). No entanto, o pedido entra em uma fila com outras solicitações — atualmente, há 15 CPIs aguardando análise, e o regimento da Casa permite apenas cinco comissões funcionando simultaneamente.
Enquanto isso, também tramitam pedidos de CPMI, que reuniriam deputados e senadores, ampliando o alcance das investigações.
Aguardando posicionamento!
Apesar da gravidade do escândalo e do impacto direto sobre recursos públicos e fundos previdenciários, nem toda a bancada do Amazonas aderiu à iniciativa de investigação.
Os deputados federais Átila Lins (PSD), Adail Filho (Republicanos) e Silas Câmara (Republicanos) foram os únicos parlamentares amazonenses que não assinaram o pedido de CPMI do Banco Master.
A ausência dos três nomes na lista de apoio à comissão tem gerado questionamentos nos bastidores políticos e entre servidores públicos, especialmente diante do envolvimento da Amazonprev, que aplicou R$ 56 milhões na instituição investigada.
Até o momento, nenhum dos parlamentares explicou publicamente os motivos da não adesão ao pedido de investigação, o que reforça o debate sobre a necessidade de transparência e posicionamento político em casos que envolvem possíveis prejuízos bilionários ao patrimônio público.
A pergunta que fica
Com bilhões em jogo, prejuízos a fundos públicos e aposentadorias ameaçadas, o escândalo do Banco Master levanta uma questão central:
quem sabia, quem se omitiu e quem vai pagar a conta?

