O Brasil enfrenta uma crise de saúde pública devido a casos de intoxicação por metanol, principalmente em São Paulo e Pernambuco, onde mais de 59 casos foram registrados, incluindo 11 confirmados por laboratório e diversas mortes em investigação. A Polícia Federal investiga a adulteração de bebidas alcoólicas, e o metanol, um álcool tóxico usado em combustíveis, tem sido adicionado de forma ilícita a bebidas destiladas, causando cegueira e óbito.
O que é o metanol e seus perigos:

- É um álcool muito tóxico para o consumo humano, incolor e inodoro.
- Em bebidas, concentrações elevadas são perigosas e podem ser resultado de falsificação de bebidas ou falha no processo de produção.
- A ingestão de metanol leva a sintomas semelhantes a uma ressaca, como náuseas e dor abdominal, mas que podem evoluir para visão turva, convulsões, cegueira irreversível e morte.

Situação atual e investigações:
- A crise se agravou em São Paulo e se espalhou para Pernambuco.
- A Polícia Federal atua na investigação, que aponta para envolvimento de organizações criminosas na adulteração de bebidas, possivelmente utilizando metanol contrabandeado de forma fraudulenta para combustíveis.
- O Ministério da Saúde enviou nota técnica a todos os estados, solicitando notificação imediata de casos suspeitos para aumentar a vigilância e o tratamento precoce.
Recomendações para a população e estabelecimentos:
- É fundamental ter cuidado redobrado com a procedência de bebidas alcoólicas.
- Comércios devem ter cautela com lacres e verificação de lotes das bebidas.
- É aconselhável inutilizar embalagens vazias de bebidas, para evitar que sejam resgatadas ilegalmente e reutilizadas na falsificação.
Até o momento, o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) recebeu a notificação de 43 casos por esse tipo de intoxicação, destes 39 casos foram em São Paulo, com 10 confirmados e 29 em investigação, e 4 casos estão em investigação em Pernambuco.
Em São Paulo foi confirmado um óbito. Outras cinco mortes estão sendo investigadas. Já em Pernambuco, duas mortes são investigadas. A investigação dos casos em São Paulo está sendo conduzida pela Polícia Federal em conjunto com os órgãos de controle e vigilância.
O Ministério da Saúde alertou que “estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país”.
A Polícia Federal começou a investigar à suspeita de envolvimento de uma organização criminosa relacionada à adulteração de bebidas.

Situação em que você deve ficar em alerta.
O caso é considerado suspeito quando o paciente, que ingeriu bebida alcoólica, apresenta a persistência ou piora de sintomas, como embriaguez persistente, desconforto gástrico e alteração visual, entre 12 horas e 24 horas após o consumo.
Intoxicação por metanol: quando procurar um hospital?
Quanto mais rápido o atendimento médico é iniciado, maior as chances de sucesso no tratamento, especialistas.
Segundo o Ministério da Saúde, os sinais de alerta costumam aparecer, em média, de 12 a 24 horas após a ingestão da substância, incluindo dor de cabeça intensa, náusea e vômitos, dor abdominal, confusão mental, visão turva repentina e cegueira em ambos os olhos.
De acordo com Felipe Liger, médico emergencista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é fundamental buscar o pronto-atendimento assim que notar os sintomas suspeitos. "Quanto mais precoce o diagnóstico for estabelecido e o tratamento inicial for realizado com todo o suporte clínico e, eventualmente, uso de antídotos, melhor será o prognóstico", afirma. "É importante lembrar que a intoxicação por metanol é uma situação com alto risco de morte e dano permanente."
Como é feito o tratamento?
O tratamento da intoxicação por metanol pode ser feito com o uso de corretores de acidez, como bicarbonato, o tratamento com vitaminas, como ácido fólico, e o uso de antídotos, como o etanol venoso, que inibe a enzima álcool desidrogenase para prevenir a formação de seus metabólitos. Seu uso está restrito aos centros de referência em intoxicação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro antídoto usado para o tratamento da intoxicação por metanol é o fomepizol, porém a substância não tem registro no Brasil.
Em casos graves, a hemodiálise pode ser feita para eliminar o metanol do organismo do paciente.
"Diante do cenário atual, com notificação de casos cada vez mais progressiva, inclusive de vítimas fatais de intoxicação por metanol, qualquer unidade de saúde deve estar preparada para o atendimento inicial dessa potencial vítima. Lá, ela deve ser avaliada clinicamente com a realização de exames complementares com o objetivo de identificar a intoxicação", explica Liger.
Como diferenciar embriaguez comum de intoxicação por metanol?
Segundo o médico emergencista, os sintomas de intoxicação por metanol são, inicialmente, muito semelhantes aos de uma embriaguez comum. "O que acontece no caso do metanol é que esses sintomas passam a ser, progressivamente, mais intensos e isso pode não ter relação com a quantidade de álcool ingerida", afirma.
Em outras palavras, quando há a ingestão de metanol, os sintomas como dor de cabeça, enjoo, vômitos e dor abdominal podem ficar mais intensos com o passar do tempo -- e isso acontece independentemente de a pessoa ter ingerido uma grande quantidade de bebidas alcoólicas ou não.
"Além disso, no caso do metanol, esses sintomas passam a ter manifestações sistêmicas pela metabolização do metanol [produção, no organismo, de substâncias tóxicas a partir do metanol], podendo, aí sim, evoluir para uma grande e marcante toxicidade. Basicamente, surgem sintomas no sistema nervoso central, como alteração de comportamento, incapacidade de permanecer acordado e alterações na visão", afirma.

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