A liquidação do Banco Master virou uma verdadeira bomba-relógio nas finanças públicas de estados e municípios brasileiros. Fundos de previdência de servidores aplicaram cerca de R$ 1,8 bilhão na instituição financeira, que quebrou no fim de 2025, e agora o prejuízo pode cair direto no colo dos cofres públicos.
Com o banco em processo de liquidação, os recursos investidos ficaram presos, sem garantia de devolução. Caso os fundos de previdência não tenham dinheiro suficiente para pagar aposentadorias e pensões, a lei obriga estados e municípios a cobrir o rombo com dinheiro do Tesouro — ou seja, com recursos que poderiam ir para saúde, educação e infraestrutura.

Levantamento do Ministério da Previdência Social revela que ao menos 18 estados e prefeituras estão expostos ao prejuízo. A regra é clara e implacável: não importa quem errou na aplicação, a conta final será paga pelo poder público local, conforme determina a Lei nº 9.717/1998.
O governo federal já avisou que não vai socorrer estados e municípios, o que agrava ainda mais o cenário. Na prática, governadores e prefeitos poderão ser obrigados a fazer aportes milionários, cortar gastos, aumentar contribuições previdenciárias ou sacrificar investimentos essenciais para manter o pagamento de benefícios.

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Especialistas alertam que o caso escancara falhas graves na gestão dos fundos de previdência, colocando em risco o futuro de milhares de servidores públicos. O temor é que o rombo cresça à medida que o processo de liquidação avança, ampliando o impacto nas contas públicas.
Enquanto não há definição sobre quanto será recuperado, uma coisa é certa: se o dinheiro não voltar, alguém vai pagar a conta — e tudo indica que será a população. O caso reacende o debate sobre responsabilidade, fiscalização e o uso de recursos que deveriam garantir aposentadorias, não gerar crises.
