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A possível atuação de grupos armados colombianos e organizações criminosas transnacionais na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru entrou na pauta da Câmara dos Deputados. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional divulgou, na quarta-feira (4), uma cobrança de esclarecimentos ao Ministério da Defesa sobre possíveis ameaças à segurança e à soberania brasileira na Amazônia.
A iniciativa tem como base um requerimento apresentado pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), que solicita informações sobre a presença, movimentação e eventual utilização do território brasileiro por organizações armadas estrangeiras e redes criminosas internacionais.
Segundo informações divulgadas pela Câmara, um relatório da Polícia Nacional da Colômbia, compartilhado com a Polícia Federal brasileira, aponta articulações entre organizações criminosas e grupos armados colombianos para facilitar o transporte internacional de entorpecentes pela região amazônica.
A preocupação parlamentar envolve a possibilidade de utilização de rotas fluviais e terrestres para movimentação de drogas, armas e apoio logístico a organizações criminosas.
É importante destacar que a divulgação do requerimento não comprova a existência de bases guerrilheiras estrangeiras em território brasileiro. A eventual presença dessas estruturas está entre os pontos sobre os quais o parlamentar solicita esclarecimentos ao Ministério da Defesa.
Câmara quer informações sobre segurança e soberania nacional
O requerimento busca esclarecer se os órgãos de defesa brasileiros possuem registros ou avaliações sobre a possível utilização do território nacional por grupos armados estrangeiros.
Entre os questionamentos estão a existência de estruturas de apoio logístico, corredores de transporte de drogas, armazenamento de armamentos e eventuais conexões entre organizações criminosas brasileiras e estrangeiras.
A Câmara também solicita informações sobre os mecanismos de cooperação e compartilhamento de inteligência entre o Brasil e países vizinhos, especialmente Colômbia e Peru.
Outro ponto levantado é a capacidade de monitoramento e resposta das Forças Armadas diante de eventuais ameaças à integridade territorial brasileira.
A cobrança parlamentar ocorre em um contexto de preocupação com o avanço de organizações criminosas nas áreas de fronteira, onde a extensão territorial e as dificuldades de fiscalização representam desafios permanentes às autoridades.
Governo federal autoriza reforço da Força Nacional em Tabatinga
A região também passou a contar com autorização para reforço das ações federais de segurança.
Por meio de portaria publicada em outubro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou o emprego da Força Nacional em apoio à Polícia Federal no município de Tabatinga, no Alto Solimões.
A autorização prevê atuação por 90 dias, com ações de patrulhamento terrestre e fluvial, além de atividades integradas de enfrentamento ao crime organizado e aos crimes ambientais.
Segundo o Ministério da Justiça, a estrutura prevista inclui duas embarcações, sendo uma blindada, para fortalecer a fiscalização nos rios da região.
A operação está inserida no Plano Amazônia: Segurança e Soberania, conhecido como Plano Amas, que reúne iniciativas voltadas ao enfrentamento de crimes na Amazônia Legal.
Não há confirmação oficial de que o reforço tenha sido determinado especificamente em consequência do relatório colombiano mencionado pela Câmara. Trata-se de medidas distintas, embora relacionadas ao contexto da segurança na fronteira.
Ministério Público Federal já havia alertado para falta de policiais em Tabatinga
A preocupação com a segurança da região também envolve as condições de funcionamento da Polícia Federal.
Em julho de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a União cobrando medidas emergenciais para recompor o efetivo da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga.
Conforme os dados apresentados pelo MPF, o número de delegados lotados na unidade caiu de cinco, em 2023, para dois em 2026, uma redução de 60%.
Ao mesmo tempo, a quantidade de investigações em andamento aumentou, elevando a carga de trabalho dos profissionais responsáveis pelos procedimentos policiais.
O Ministério Público também apontou dificuldades relacionadas ao quantitativo de agentes e escrivães, situação que pode comprometer a capacidade de investigação e resposta às atividades criminosas na região.
Na ação, o MPF pediu providências para reforçar a estrutura da unidade e melhorar as condições de atuação da Polícia Federal.
Segurança da tríplice fronteira também interessa aos municípios do Solimões
A região de Tabatinga possui localização estratégica por fazer fronteira terrestre com Letícia, na Colômbia, e manter ligação fluvial com Santa Rosa, no Peru.
O movimento de embarcações, mercadorias e passageiros faz parte da dinâmica econômica e social da região, exigindo mecanismos permanentes de fiscalização e cooperação entre os três países.
A extensa rede hidrográfica do Amazonas também representa um desafio para as operações de segurança, especialmente diante das grandes distâncias entre municípios e comunidades ribeirinhas.
Nesse contexto, o fortalecimento da fiscalização na fronteira interessa não apenas a Tabatinga, mas também a municípios situados ao longo do Alto e Médio Solimões, como Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Fonte Boa e Tefé.
A circulação regular de pessoas e mercadorias nessas localidades não deve ser confundida com atividades criminosas. O desafio das autoridades é combater organizações ilegais sem prejudicar a população que depende dos rios para trabalhar, estudar, comercializar produtos e acessar serviços essenciais.
Ministério da Defesa é chamado a esclarecer situação
Com a iniciativa parlamentar, a Câmara busca obter informações oficiais sobre a avaliação das autoridades brasileiras a respeito da presença de grupos armados estrangeiros, das rotas internacionais do narcotráfico e das medidas adotadas para proteger o território nacional.
Até as informações examinadas para esta reportagem, não havia uma resposta conclusiva do Ministério da Defesa ao requerimento divulgado pela comissão.
Também não foi identificada confirmação oficial de fechamento da fronteira ou de alteração nas regras de circulação entre Tabatinga, Letícia e Santa Rosa em consequência dessa iniciativa parlamentar.
O Portal Fonte Boa em Tempo continuará acompanhando os esclarecimentos das autoridades brasileiras e os desdobramentos das ações de segurança na tríplice fronteira do Amazonas.