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A falta de alimentação escolar provocou protestos de estudantes do Centro de Educação em Tempo Integral (CETI) Deputado Gláucio Gonçalves, no município de Parintins, e reacendeu questionamentos sobre o fornecimento de merenda em escolas estaduais do Amazonas.
A manifestação aconteceu na segunda-feira (26), quando alunos se mobilizaram dentro da unidade para cobrar a regularização das refeições e melhores condições de funcionamento da escola.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), os estudantes ficaram sem café da manhã e receberam um almoço improvisado após a paralisação de trabalhadores terceirizados, que alegam atraso no pagamento de salários.
Em consequência dos problemas, as atividades escolares foram encerradas mais cedo naquele dia.
O episódio ganhou repercussão estadual e motivou cobranças de representantes estudantis, parlamentares e entidades ligadas à educação.
Estudantes cobram alimentação e melhores condições
O CETI Deputado Gláucio Gonçalves funciona em regime de tempo integral, modalidade na qual os alunos permanecem durante grande parte do dia na escola e dependem das refeições oferecidas pela unidade.
De acordo com os relatos divulgados, os estudantes deveriam receber café da manhã, almoço e lanche da tarde.
O presidente do grêmio estudantil, Luan Pablo, manifestou preocupação com a possibilidade de agravamento da situação.
Já o vice-presidente, Andrew Sicsu, também apontou dificuldades relacionadas à falta de materiais necessários às atividades escolares, incluindo recursos para reprodução de provas.
O Sinteam declarou apoio à manifestação dos estudantes e cobrou providências da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) para garantir a continuidade das aulas e a regularização dos pagamentos dos trabalhadores terceirizados.
Câmara Municipal cobra explicações
Na terça-feira (27), o vereador Julvan Medeiros apresentou o Requerimento nº 69/2026, solicitando esclarecimentos à Seduc e ao Governo do Amazonas sobre a paralisação do fornecimento da merenda escolar.
A proposta foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Parintins, conforme registro do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL).
O documento foi protocolado sob o número 1798/2026 e representa uma cobrança formal ao poder público estadual.
Prefeitura esclarece responsabilidade
Na quarta-feira (28), a Prefeitura de Parintins divulgou uma nota esclarecendo que o CETI Deputado Gláucio Gonçalves pertence à rede estadual de ensino e, portanto, a responsabilidade pelo fornecimento da alimentação escolar é do Governo do Amazonas, por meio da Seduc.
A administração municipal informou que o fornecimento de merenda nas escolas municipais ocorre regularmente, com acompanhamento de nutricionistas.
Mesmo sem responsabilidade administrativa sobre a unidade estadual, a prefeitura afirmou que o prefeito Mateus Assayag mantém diálogo com a Seduc em busca de uma solução.
Deputada questiona pagamentos de contrato de R$ 45,48 milhões
A deputada estadual Mayra Dias voltou a cobrar explicações do Governo do Amazonas sobre o fornecimento da alimentação escolar.
Segundo a parlamentar, um contrato relacionado à empresa BMS, estimado em R$ 45,48 milhões, apresenta questionamentos quanto aos pagamentos.
Mayra afirmou que, em consulta ao Portal da Transparência, identificou como último pagamento registrado uma transferência de aproximadamente R$ 433 mil, realizada em agosto e referente a serviços de abril.
Ainda segundo a deputada, não foram encontrados registros de pagamentos relativos ao período de maio a outubro.
A parlamentar solicitou a regularização das refeições no prazo de 48 horas e esclarecimentos sobre eventuais valores pendentes.
As informações financeiras representam questionamentos apresentados pela deputada e não constituem, por si só, comprovação definitiva de inadimplência contratual.
Problemas também são relatados em outros municípios
A situação não estaria restrita a Parintins.
Em Boa Vista do Ramos, pais de estudantes da Escola Estadual de Tempo Integral Professor Raimundo Benedito Costa relataram dificuldades no fornecimento da alimentação escolar.
Segundo os relatos, a unidade, que atende aproximadamente 225 estudantes durante o dia, passou a funcionar apenas em meio período.
Há também denúncias semelhantes envolvendo escolas estaduais de Manaus, Humaitá, Presidente Figueiredo e Manicoré, citadas em cobranças parlamentares.
Ministério Público apura situação em Benjamin Constant, no Alto Solimões
Outro caso que chama atenção ocorre no município de Benjamin Constant, na região do Alto Solimões.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades no fornecimento de alimentação escolar e água potável aos estudantes do CETI Aristélio Sabino.
A investigação foi iniciada após solicitação do Sinteam, em fevereiro deste ano.
Entre os relatos encaminhados ao órgão estão denúncias de que estudantes estariam levando alimentos de casa para compartilhar com colegas, diante da suposta insuficiência das refeições oferecidas.
O Ministério Público solicitou informações à Seduc, à Coordenadoria Regional de Educação e à direção da escola sobre quantidade de refeições, cardápios, contratos, armazenamento dos alimentos e condições de abastecimento de água.
Também foi anunciada uma inspeção nas instalações da unidade, incluindo cozinha, despensa e refeitório.
O procedimento permanece em fase de apuração, sem conclusão definitiva sobre as irregularidades denunciadas.
Governo afirma que está tomando providências
O governador Roberto Cidade. se manifestou sobre o assunto e afirmou que o Governo do Estado estava tomando as providências necessárias diante das reclamações.
Entretanto, até as informações disponíveis nesta quinta-feira (29), não foi possível confirmar a regularização integral do fornecimento de alimentação nas unidades mencionadas.
A Seduc também havia sido procurada por veículos de comunicação para prestar esclarecimentos, mas não havia apresentado resposta nas publicações consultadas.
A alimentação escolar é um direito dos estudantes e uma condição fundamental para o funcionamento das escolas em tempo integral.
O Portal Fonte Boa em Tempo continuará acompanhando os desdobramentos e mantém espaço aberto para manifestação da Seduc, das empresas responsáveis pelo fornecimento das refeições e dos demais envolvidos.