Uma operação integrada de fiscalização ambiental resgatou 176 quelônios mantidos ilegalmente e recuperou 236 ovos de tartarugas e tracajás no Rio Cuniuá, afluente do Rio Purus, no interior do Amazonas. A ação ocorreu durante a madrugada desta terça-feira (18) e também resultou na apreensão de duas embarcações, 120 quilos de pirarucu e redes utilizadas na pesca ilegal.
A fiscalização reuniu agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e policiais militares. Segundo as informações da operação, as infrações identificadas durante as abordagens resultaram na aplicação de mais de R$ 2 milhões em multas.

A ação integra a Operação Gaspar, iniciada no fim de julho e desenvolvida na calha do Rio Purus com o objetivo de combater a caça, a captura de animais silvestres e a pesca predatória, principalmente em áreas próximas a territórios indígenas e outras regiões ambientalmente protegidas.
Quelônios devolvidos à natureza
Durante a fiscalização, os agentes encontraram tracajás e outros quelônios mantidos ilegalmente. Os animais foram resgatados e devolvidos ao ambiente natural.
A equipe também localizou 236 ovos de tartarugas e tracajás. Para preservar o processo de reprodução das espécies, os ovos foram levados para áreas consideradas adequadas e reenterrados em praias da região, onde poderão completar o período de incubação e eclosão.
A retirada ilegal de quelônios e de seus ovos representa uma ameaça à manutenção das populações desses animais nos rios amazônicos, especialmente durante o período de reprodução, quando praias e tabuleiros se tornam pontos vulneráveis à ação de caçadores.
Pirarucu e embarcações apreendidos
Além dos animais e ovos encontrados, a fiscalização apreendeu 120 quilos de pirarucu, pescado cuja captura é submetida a regras específicas de proteção e manejo. Redes de malha e outros apetrechos utilizados na atividade ilegal também foram recolhidos.
Duas embarcações utilizadas pelos infratores foram interceptadas e apreendidas durante as abordagens realizadas em pontos estratégicos do Rio Cuniuá.
A região fiscalizada está próxima de áreas indígenas. Segundo o servidor da Funai Edilson Ramalho, a atuação ocorre em uma área de conexão com diferentes territórios.
“Hoje fizemos algumas abordagens, algumas apreensões. E aqui nós estamos nas conexões com as terras indígenas, com a Terra Indígena Deni, com a Terra Indígena Suruwaha e uma terra também que está em processo de demarcação”, explicou.
Proteção das comunidades tradicionais
A fiscalização busca não apenas combater crimes contra a fauna, mas também proteger recursos naturais utilizados historicamente pelas populações indígenas e comunidades tradicionais da calha do Purus.
O servidor do Ibama Walmir Nogueira destacou que a integração entre os órgãos é fundamental para ampliar a presença da fiscalização em uma região extensa e de difícil acesso.
“O nosso objetivo aqui é tentar preservar o meio ambiente, esse trabalho em conjunto, em parceria, e beneficiar realmente os moradores tradicionais, que são os povos indígenas aqui do Rio Purus”, afirmou.
A Operação Gaspar segue atuando na calha do Rio Purus, com abordagens de embarcações e fiscalização em áreas consideradas estratégicas para o combate à caça e à pesca ilegais. De acordo com as informações divulgadas, a operação é contínua e não possui data definida para encerramento.
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