Uma nova preocupação surge no setor elétrico do Amazonas e pode impactar diretamente municípios do interior, como os do Médio Solimões. A Petrobras ingressou na Justiça com um pedido de falência contra a Amazonas Energia, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no estado.
A informação foi divulgada pelo jornalista Ronaldo Tiradentes, durante o programa Manhã de Notícias desta quarta-feira (19). Segundo ele, que também é advogado e possui fontes no Judiciário amazonense, a estatal cobra uma dívida considerada “astronômica”, que chegaria a cerca de R$ 22 bilhões.

Dívida teria origem no fornecimento de diesel
O débito, conforme apurado, seria herança de contratos antigos ligados ao fornecimento de diesel para usinas termelétricas — principal fonte de geração de energia em grande parte do interior do Amazonas, onde o sistema não é interligado ao restante do país.
O pedido de falência está fundamentado na Lei Federal nº 11.101/2005, que regula processos de recuperação judicial e falência de empresas no Brasil.
Amazonas Energia nega dívida
Procurada, a concessionária não se manifestou oficialmente até o fechamento das informações divulgadas. No entanto, fontes ligadas à empresa afirmam que:
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A Amazonas Energia não reconhece a dívida cobrada pela Petrobras;
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Reconhece apenas débitos junto à Eletrobras;
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Esses valores seriam assumidos pela Âmbar Energia, que está em processo de aquisição do controle do setor.
O processo tramita em segredo de justiça, por isso não há mais detalhes públicos até o momento.
Se a falência avançar, o que pode acontecer?
Caso o processo siga adiante, alguns cenários possíveis são:
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Intervenção regulatória – A Aneel pode nomear um gestor provisório.
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Transferência de concessão – Outra empresa assume a distribuição.
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Assunção de dívidas – Como já sinalizado pela Âmbar Energia.
Ou seja: o sistema não pode simplesmente ser desligado.

Onde mora o risco real?
O perigo de instabilidade energética existiria apenas se houvesse:
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Falta de pagamento contínua de combustível para termelétricas;
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Problemas logísticos prolongados;
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Colapso operacional sem intervenção federal.
Até agora, nada disso foi confirmado.
Situação segue em aberto
O caso ainda está no início da tramitação judicial e deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas. Enquanto isso, autoridades do setor elétrico monitoram a situação para evitar impactos à população.
A crise expõe mais uma vez a fragilidade estrutural do sistema energético na região Norte, altamente dependente de combustível fóssil e de logística fluvial para manter as luzes acesas no interior do Amazonas.
