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A Polícia Federal, em ação conjunta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), concluiu a Operação Pirá’ákãg, voltada ao combate ao garimpo ilegal dentro da Estação Ecológica Juami-Japurá, unidade de conservação federal localizada no interior do Amazonas.
A operação foi realizada entre os dias 9 e 13 de julho e teve como objetivo desarticular estruturas utilizadas na exploração mineral ilegal e impedir a continuidade da atividade dentro da área protegida.
Durante a ação, foram apreendidas ou inutilizadas 11 dragas utilizadas no garimpo. Também foram retirados de operação 3 rebocadores de metal, 3 botes de alumínio, 3 motores de popa, 2 embarcações, 1 embarcação regional de madeira, 1 embarcação para carga, 1 lancha e 1 balsa do tipo poitera.
As equipes ainda localizaram e inutilizaram 3 motores a diesel e 2 geradores de energia, equipamentos empregados no funcionamento das estruturas de garimpo.
Outro ponto de destaque foi a retirada de aproximadamente 48 mil litros de combustível, material utilizado para manter as embarcações e equipamentos em funcionamento em meio à atividade clandestina.
Multas ultrapassam R$ 1,6 milhão
Além da retirada das estruturas, os órgãos de fiscalização lavraram três autos de infração ambiental.
As penalidades aplicadas durante a operação totalizaram R$ 1.622.800,00 em multas.
A ação representa mais uma ofensiva das forças federais contra estruturas de exploração mineral ilegal instaladas em áreas protegidas do Amazonas.
Garimpo ameaça rios e saúde das populações
O impacto do garimpo ilegal vai muito além da retirada de equipamentos e da destruição de estruturas clandestinas. A atividade pode provocar assoreamento dos rios, alteração dos cursos d’água, destruição de áreas de vegetação e degradação dos ambientes aquáticos, além de favorecer a contaminação por substâncias tóxicas utilizadas ou mobilizadas durante a exploração mineral.
Um dos principais riscos está relacionado ao mercúrio, utilizado na mineração de ouro. Segundo o Ministério da Saúde, o uso intenso e indiscriminado do metal no garimpo ilegal na Bacia Amazônica pode contaminar o ambiente, os peixes e afetar diretamente a saúde de populações indígenas, ribeirinhas e tradicionais.
O problema ganha ainda mais importância no Amazonas porque muitas comunidades dependem diretamente dos rios para alimentação, pesca, transporte e sobrevivência. O mercúrio pode entrar na cadeia alimentar e se acumular nos peixes, transformando o pescado em uma das principais vias de exposição das populações que consomem esses alimentos regularmente.
MPF amplia cobrança por monitoramento
A preocupação com a contaminação dos rios amazônicos já levou o Ministério Público Federal (MPF) a adotar novas medidas. Em setembro de 2026, o órgão ajuizou ação civil pública para cobrar da União, Ibama, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e dos estados do Amazonas, Rondônia e Roraima a criação de um sistema permanente, integrado e público de monitoramento do mercúrio em rios, sedimentos, peixes e populações que vivem próximas às áreas de garimpo.
O MPF também vem destacando os impactos do garimpo ilegal sobre a saúde pública e o meio ambiente. Dados apresentados pelo órgão apontam que estudos identificaram níveis de mercúrio acima dos limites de segurança em parte das amostras de peixes analisadas na Amazônia.
A preocupação é especialmente relevante para as comunidades ribeirinhas e indígenas, que possuem forte dependência do pescado como fonte de alimento.
Combate precisa ser permanente
Para além das operações de fiscalização, o avanço do garimpo ilegal coloca em discussão a necessidade de monitoramento contínuo dos rios, fiscalização das embarcações e acompanhamento da saúde das populações expostas.
A Operação Pirá’ákãg mostra a dimensão das estruturas utilizadas pela atividade clandestina: somente em uma ação, foram retiradas de circulação 11 dragas, dezenas de embarcações e equipamentos e aproximadamente 48 mil litros de combustível, além da aplicação de mais de R$ 1,6 milhão em multas.
A retirada dessas estruturas representa uma interrupção da atividade ilegal na unidade de conservação, mas o desafio permanece: impedir que novos equipamentos sejam instalados e que áreas já degradadas voltem a ser ocupadas pelo garimpo.
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