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Professores, biólogos e alunos do Centro de Educação em Tempo Integral (CETI) de Fonte Boa estiveram na Câmara Municipal de Fonte Boa, na última segunda-feira (14/09), para apresentar aos vereadores o Projeto Muxuri, iniciativa voltada à educação ambiental, conservação e preservação dos quelônios encontrados nos rios e comunidades da região.
A apresentação foi realizada pelos professores João Paulo de Souza e Lindon Jhonson Melo, acompanhados de estudantes do 1º e 2º ano da instituição. O projeto é desenvolvido em parceria com o IDSFB/Coordenação de Quelônios e busca aproximar a escola, as comunidades ribeirinhas e o poder público em ações destinadas à proteção das espécies.
Durante a sessão, professores e alunos defenderam a importância da preservação dos quelônios e apresentaram aos vereadores as ações que já vêm sendo realizadas. A proposta também busca a criação de mecanismos legais que possibilitem ampliar os trabalhos de conservação no município.
Projeto nasceu dentro da escola
Segundo os idealizadores, o Projeto Muxuri surgiu a partir de ideias apresentadas pelos próprios alunos do CETI Naide Lins de Albuquerque e posteriormente foi estruturado e desenvolvido com participação de professores e biólogos da instituição.
A iniciativa tem como um dos principais objetivos trabalhar a educação ambiental e a conscientização das comunidades tradicionais, mostrando a importância dos quelônios para o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.
Atualmente, as atividades de observação, proteção de ninhos e acompanhamento até a soltura dos animais são realizadas em três comunidades. De acordo com os responsáveis pelo projeto, outras cinco comunidades já demonstraram interesse em participar das ações.
Para os idealizadores, a ampliação da participação comunitária é fundamental para aumentar a proteção das espécies.
Atenção para espécies ameaçadas
Durante a apresentação na Câmara, os responsáveis pelo projeto chamaram atenção especialmente para espécies consideradas vulneráveis na região, entre elas a Podocnemis sextuberculata, conhecida popularmente como "iaçá".
Os profissionais alertam que a continuidade da pressão sobre essas espécies pode comprometer suas populações nos rios amazônicos. Por isso, defendem ações permanentes de proteção dos ninhos, acompanhamento da reprodução e soltura dos filhotes, além do trabalho de conscientização junto às comunidades.
A proposta é que a conservação seja construída em parceria com os moradores das áreas ribeirinhas, que possuem contato direto com os rios e com os locais de reprodução dos quelônios.
Busca por parceria com o poder público
A ida do grupo à Câmara Municipal teve também o objetivo de apresentar formalmente o projeto aos vereadores e buscar apoio para a criação de uma legislação que possa fortalecer as ações de conservação dos quelônios no município de Fonte Boa.
Os idealizadores defendem que a união entre comunidades, escolas, profissionais da área ambiental e poder público pode ampliar significativamente os resultados obtidos pelo projeto.
Segundo os responsáveis, quanto maior o número de comunidades envolvidas, maiores serão as possibilidades de proteção dos ninhos e de aumento das populações das espécies ao longo dos anos.
O biólogo João Paulo informou ainda que serão encaminhados requerimentos e documentações necessárias para estabelecer parcerias com o Ibama, tanto no Amazonas quanto em Brasília, com o objetivo de fortalecer institucionalmente o Projeto Muxuri e ampliar sua visibilidade.
Educação ambiental como ferramenta de conservação
Além da proteção direta dos animais, o projeto aposta na educação ambiental como uma das principais ferramentas para garantir a continuidade das espécies.
A proposta é envolver estudantes e moradores em todas as etapas, desde a identificação e proteção dos ninhos até o acompanhamento dos filhotes e a posterior soltura nos rios.
Para os profissionais envolvidos, o trabalho realizado nas comunidades pode ajudar a mudar hábitos e aumentar a consciência sobre a importância de preservar os quelônios, especialmente entre as novas gerações.
A apresentação foi avaliada positivamente pelos vereadores que participaram da sessão e ouviram os professores e estudantes defenderem a proposta de preservação ambiental.
O Projeto Muxuri pretende agora avançar nas articulações para ampliar sua atuação e conquistar novas parcerias.
Ao falar sobre a importância da iniciativa, o biólogo João Paulo resumiu a preocupação dos profissionais envolvidos:
“Se a gente não tiver o cuidado de preservar essa espécie, ela vai desaparecer para sempre.”
A iniciativa coloca estudantes, educadores e comunidades ribeirinhas no centro de uma discussão que envolve diretamente a preservação da biodiversidade dos rios de Fonte Boa e da Amazônia.
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