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O avanço do El Niño, que atualmente apresenta intensidade forte e pode chegar ao nível muito forte ainda em setembro, coloca a região Norte em estado de atenção para os impactos da estiagem sobre a saúde da população. No Amazonas, especialmente nos municípios do Médio e Alto Solimões, a redução do nível dos rios pode aumentar as dificuldades de deslocamento e acesso a serviços básicos, principalmente para comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas.
Com os rios cada vez mais baixos, viagens que normalmente são feitas em poucas horas podem se tornar mais demoradas e difíceis. Em algumas comunidades, o acesso por embarcação pode ficar comprometido, criando obstáculos para quem precisa chegar a uma unidade de saúde, realizar consultas, buscar medicamentos ou receber atendimento de emergência.
O cenário também exige atenção com a qualidade e disponibilidade da água utilizada para consumo, além da alimentação e das condições de higiene.
Seca também é uma questão de saúde
A estiagem prolongada não representa apenas um problema para a navegação. A redução das chuvas e dos níveis dos rios pode provocar uma série de consequências para a saúde pública.
Entre os principais riscos estão a insegurança hídrica e alimentar, desidratação, agravamento de doenças respiratórias, aumento de problemas relacionados à fumaça das queimadas e ocorrência de doenças transmitidas pela água.
Em municípios do Solimões, onde muitas famílias dependem diretamente dos rios para transporte, pesca, abastecimento e acesso aos serviços públicos, os efeitos podem ser ainda maiores durante períodos de seca severa.
Outro ponto de preocupação é a fumaça provocada pelas queimadas. A concentração de partículas no ar pode agravar problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas que já possuem doenças respiratórias.
Água para beber exige cuidado redobrado
Durante a seca, a população deve ter atenção especial com a água utilizada para beber e preparar alimentos.
Quando houver dúvida sobre a qualidade da água, é importante utilizar métodos seguros de tratamento, como filtragem e desinfecção, seguindo as orientações das autoridades de saúde.
Água aparentemente limpa também pode apresentar contaminação que não é percebida a olho nu.
Por isso, moradores de comunidades ribeirinhas e áreas rurais devem evitar o consumo de água de procedência desconhecida e manter os recipientes de armazenamento devidamente limpos e tampados.
Doenças respiratórias podem aumentar com a fumaça
Outro alerta durante a estiagem está relacionado à qualidade do ar.
A fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias.
A recomendação é evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos de maior concentração de fumaça e manter crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios protegidos sempre que a qualidade do ar estiver ruim.
Em caso de falta de ar intensa, dificuldade para respirar, dor no peito ou agravamento importante de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
Rios baixos podem dificultar atendimento nas comunidades
Nos municípios do Solimões, a logística de saúde possui uma característica diferente de outras regiões do país.
Em muitas localidades, o deslocamento até uma unidade de saúde depende exclusivamente do transporte fluvial. Com a descida dos rios, algumas viagens podem se tornar mais longas, enquanto determinados trechos ficam mais difíceis para a navegação.
Por isso, a prevenção ganha importância durante a estiagem.
Famílias que vivem em comunidades mais isoladas devem, sempre que possível, manter medicamentos de uso contínuo em quantidade suficiente para evitar interrupções e procurar antecipadamente as unidades de saúde quando houver necessidade de acompanhamento médico.
Também é importante que agentes comunitários de saúde e equipes que atendem áreas rurais e ribeirinhas mantenham atenção especial às famílias que vivem em regiões de difícil acesso.
Calor, desidratação e exposição ao sol
A combinação de pouca chuva, temperaturas elevadas e baixa umidade também pode aumentar o risco de desidratação.
A população deve aumentar a ingestão de água potável, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e dar atenção especial a crianças e idosos.
Sinais como sede excessiva, fraqueza, tontura, boca seca e redução da urina podem indicar desidratação e precisam ser observados.
Prevenção precisa acompanhar a descida dos rios
Com a possibilidade de uma estiagem prolongada, o acompanhamento dos níveis dos rios deve caminhar junto com o monitoramento das condições de saúde da população.
Nos municípios do Solimões, a prevenção é especialmente importante porque os efeitos da seca não ficam restritos à navegação. Eles podem atingir o abastecimento de água, alimentação, transporte, atendimento médico, qualidade do ar e rotina das comunidades.
A orientação para a população é acompanhar os comunicados das autoridades de saúde e Defesa Civil, manter cuidados com água e alimentos, evitar exposição à fumaça das queimadas e procurar atendimento diante do surgimento ou agravamento de sintomas.
O período de seca exige atenção redobrada principalmente nas comunidades mais distantes das sedes municipais, onde o acesso aos serviços de saúde pode depender das condições de navegação.
No Solimões, cuidar da saúde durante a estiagem também significa se antecipar aos problemas antes que a descida dos rios transforme uma necessidade simples em uma emergência.