O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Inquérito Civil para investigar denúncias de graves violações de direitos humanos e territoriais contra comunidades indígenas nas regiões do Alto Tiquié e Baixo Uaupés, no Alto Rio Negro, interior do Amazonas. Os relatos apontam para a presença de grupos armados estrangeiros, supostamente de origem colombiana, dentro de territórios tradicionalmente ocupados pelos povos indígenas.
A investigação foi formalizada pela Portaria nº 16, de 17 de agosto de 2026, e tem como base informações encaminhadas ao MPF pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Segundo as denúncias, homens armados teriam realizado incursões e permanecido em áreas indígenas, provocando temor entre moradores e interferindo diretamente na rotina das comunidades.
Entre as localidades mencionadas estão áreas do Rio Castanho, a comunidade São Felipe, Morro do Beija-Flor, Cachoeira Comprida e a região da comunidade Cunurí.

Indígenas relatam ameaças e invasões de roças
Os relatos encaminhados ao Ministério Público Federal descrevem episódios de violência, intimidação e restrição da liberdade dos indígenas.
Entre as ocorrências denunciadas estão invasões de roças utilizadas para a subsistência das famílias, ameaças com armas de fogo e coação de moradores durante atividades agrícolas. A presença dos homens armados também estaria dificultando o livre deslocamento dos indígenas pelo território.
Um dos episódios considerados mais graves envolve uma liderança indígena da comunidade Cunurí. Conforme as informações apresentadas ao MPF, a liderança teria sido sequestrada e obrigada pelos invasores a atuar como guia durante o deslocamento do grupo pela região.
A investigação deverá buscar elementos para esclarecer quem são os homens armados, a origem do grupo, há quanto tempo atuam na área e quais comunidades foram afetadas.
MPF cobra ação das Forças Armadas e da Polícia Federal
Diante da gravidade das denúncias, o procurador da República Eduardo Sanches determinou o encaminhamento de recomendação urgente aos comandos do Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira, além da Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.
O objetivo é cobrar providências para reforçar o patrulhamento e garantir proteção territorial às comunidades indígenas afetadas.
Conforme as informações constantes no procedimento, foi estabelecido prazo de 48 horas para que os órgãos informassem as medidas adotadas diante das denúncias. A intimação foi publicada no Diário Eletrônico em 19 de agosto.
Até o momento, não foi divulgado publicamente um relatório conclusivo detalhando as providências tomadas especificamente em resposta à recomendação.

Região de fronteira preocupa autoridades
A situação aumenta a preocupação com a segurança das comunidades indígenas situadas em uma extensa região próxima à fronteira internacional.
O Alto Rio Negro possui inúmeros rios, igarapés e áreas de floresta de difícil acesso, características que tornam a fiscalização permanente um desafio e aumentam a importância da presença dos órgãos de segurança e proteção territorial.
O Inquérito Civil instaurado pelo MPF deverá reunir documentos, depoimentos e outras informações para dimensionar as violações denunciadas e acompanhar as providências adotadas pelos órgãos responsáveis.
Além de esclarecer a atuação dos grupos armados estrangeiros, o procedimento busca assegurar a proteção das comunidades indígenas, o livre exercício de suas atividades tradicionais e a integridade de seus territórios.
A eventual vinculação dos homens armados a guerrilhas colombianas ou a outras organizações criminosas ainda depende de confirmação pelas autoridades responsáveis pela investigação.
