A conta de energia elétrica ficou mais cara no Amazonas a partir desta terça-feira (26), após reajuste aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A medida será aplicada pela Âmbar Energia, antiga Amazonas Energia, concessionária responsável pelo fornecimento para mais de 1 milhão de unidades consumidoras em todo o estado.
Na prática, o aumento representa mais uma pressão no orçamento das famílias amazonenses, que já enfrentam o alto custo da alimentação, do gás de cozinha, do transporte fluvial, dos combustíveis e dos serviços básicos, principalmente nos municípios do interior.

Para os consumidores residenciais, o reajuste será de 3,77%. Já para a baixa tensão, categoria que inclui a maior parte das casas, pequenos comércios e propriedades rurais, o aumento médio será de 3,79%. O impacto será ainda maior para consumidores de média e alta tensão, como indústrias, hospitais, supermercados, frigoríficos, grandes lojas e shopping centers, que terão reajuste médio de 13,24%.

Embora o percentual residencial pareça menor, o prejuízo será sentido mês a mês, principalmente por famílias de baixa renda, aposentados, trabalhadores informais e pequenos comerciantes, que muitas vezes já precisam escolher quais contas pagar primeiro.
Na casa do consumidor comum, qualquer aumento na energia significa menos dinheiro para comprar comida, remédio, material escolar, gás ou pagar outras despesas. Quem já vinha economizando, desligando lâmpadas, reduzindo o uso de ventilador, geladeira, freezer, ar-condicionado e eletrodomésticos, agora terá que apertar ainda mais o consumo para tentar evitar uma fatura mais alta.
No Amazonas, essa realidade é ainda mais dura por causa do clima quente e úmido. Em muitos municípios, o uso de ventiladores, centrais de ar e freezers não é luxo, mas necessidade. Famílias com crianças, idosos e pessoas doentes dependem de energia diariamente para manter conforto mínimo, conservação de alimentos, medicamentos refrigerados e funcionamento de equipamentos domésticos.
O reajuste também deve atingir em cheio os pequenos comércios do interior, como mercadinhos, açougues, padarias, lanchonetes, farmácias, oficinas, salões de beleza e vendedores que dependem de freezer, geladeira, iluminação e equipamentos elétricos para trabalhar. Com a energia mais cara, muitos comerciantes podem repassar parte desse custo para o consumidor final.

Isso significa que o aumento da conta de luz não fica apenas na fatura. Ele pode aparecer também no preço do pão, da carne, do peixe congelado, do frango, da bebida gelada, do lanche, do remédio, do serviço e de vários produtos vendidos no comércio local.
Nas cidades do Solimões e do interior do Amazonas, onde o custo de transporte já encarece mercadorias, qualquer reajuste nos custos operacionais acaba pesando ainda mais para a população. O consumidor paga a energia mais cara em casa e, indiretamente, também pode pagar mais caro nos produtos que compra todos os dias.
Outro ponto preocupante é o impacto sobre serviços essenciais. Hospitais, clínicas, laboratórios, escolas particulares, empresas de comunicação, supermercados e grandes estabelecimentos terão aumento maior, de até 13,24%. Esses setores dependem fortemente de energia elétrica para funcionar, e o aumento pode elevar despesas administrativas e operacionais.
Segundo a Aneel, o reajuste médio geral no Amazonas ficou em 6,58%. A agência informou que os principais fatores que pressionaram a alta foram os custos de compra e transporte de energia, encargos setoriais e componentes financeiros do setor elétrico.
O reajuste chega em um momento difícil para milhares de famílias. Para quem vive com salário apertado, benefício social, aposentadoria ou renda informal, qualquer aumento fixo no fim do mês representa perda real no poder de compra.
A partir de agora, o consumidor amazonense terá que redobrar os cuidados para evitar desperdício, acompanhar o consumo mensal e buscar alternativas para economizar. Mas, para muitos moradores, a margem para economizar já é pequena, e o novo reajuste significa apenas uma coisa: a vida vai ficar mais cara.
No fim das contas, quem mais sente o impacto é o povo. A tarifa sobe, o comércio repassa custos, os serviços ficam mais caros e o orçamento das famílias fica cada vez mais apertado.
