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Rios da Bacia Amazônica apresentam descida dentro da normalidade; El Niño mantém monitoramento em alerta para os próximos meses

Solimões, Negro, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas já apresentam sinais de descida; mas especialistas afastam risco de seca histórica por enquanto.

Rios da Bacia Amazônica apresentam descida dentro da normalidade; El Niño mantém monitoramento em alerta para os próximos meses
Imagem: Divulgação (WEB)
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Os principais rios da Bacia Amazônica já iniciaram o processo de vazante e, até o momento, a descida das águas ocorre dentro da normalidade esperada para esta época do ano. Estudos e dados de monitoramento hidrológico não apontam, por enquanto, sinais de uma vazante anormal ou acelerada capaz de provocar uma seca histórica no Amazonas.

O cenário inclui o rio Negro e também as calhas dos rios Solimões, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas. Segundo especialistas, as variações diárias registradas pelas estações de monitoramento seguem o comportamento natural do ciclo hidrológico da região.

Em Manaus, dados do Porto mostram que o rio Negro deixou de subir no dia 22 de junho e permaneceu praticamente estável até o início de julho. A partir do dia 3, o nível começou a apresentar queda média diária de aproximadamente dois centímetros, confirmando o início da vazante na capital amazonense.

De acordo com o meteorologista Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), não há, neste momento, indícios de uma aceleração anormal da descida dos rios.

“Todas as estações monitoradas se encontram dentro da normalidade e com variações diárias que estão dentro do padrão esperado para o período. Por enquanto, não há nenhuma anomalia hidrológica que venha, de fato, causar uma aceleração no processo de vazante”, explicou.

O especialista destaca que uma descida rápida e fora dos padrões poderia gerar transtornos principalmente às comunidades ribeirinhas, à navegação, ao transporte de passageiros e mercadorias, ao abastecimento e até ao acesso aos serviços de saúde. No entanto, esse cenário ainda não é observado.

“A vazante já começou praticamente em toda a Bacia Amazônica. O rio Negro, assim como os rios Solimões, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas, já está em processo de descida, tudo dentro da normalidade, tudo descendo conforme tem que descer”, afirmou Vergasta.

Solimões apresenta situações diferentes ao longo da calha

No Alto Solimões, na região de Tabatinga, o rio já se encontra em pleno processo de vazante. Após níveis favoráveis à navegação durante o mês de junho, as águas passaram a registrar descidas contínuas.

No Médio Solimões, onde estão municípios como Fonte Boa e Tefé, o cenário é de transição. O ritmo de subida perdeu força, indicando que o pico da enchente já foi alcançado ou está muito próximo do fim. A tendência agora é de estabilidade seguida pelo início mais evidente da descida das águas.

Já no Baixo Solimões, na região de Manacapuru, o rio ainda apresenta reflexos do fim do ciclo de enchente, mantendo níveis elevados e próximos da estabilidade. Mesmo assim, as condições são consideradas normais para o período.

Para milhares de famílias que vivem às margens do Solimões, o comportamento do rio é acompanhado diariamente. A vazante influencia diretamente a navegação, o acesso às comunidades, o transporte de alimentos, o deslocamento de pacientes e a rotina de pescadores e agricultores das áreas de várzea.

El Niño está no radar dos especialistas

Apesar da normalidade observada atualmente, o retorno do El Niño mantém os especialistas em atenção. Segundo Leonardo Vergasta, o fenômeno já apresenta intensidade entre fraca e moderada e poderá ganhar força entre o fim de setembro e o início de outubro.

Os cenários analisados pelo LabClim-UEA indicam que os primeiros efeitos poderão ser sentidos entre o fim de agosto e o começo de setembro, inicialmente com aumento das temperaturas e redução das chuvas.

Os reflexos mais perceptíveis nos níveis dos rios são esperados principalmente entre setembro e outubro.

Mesmo diante da preocupação, o meteorologista ressalta que ainda é cedo para afirmar que o Amazonas enfrentará uma seca extrema semelhante às registradas em 2023 e 2024. As condições analisadas atualmente são consideradas mais favoráveis do que as observadas nos dois anos anteriores.

“De acordo com o que a gente conseguiu elaborar aqui no laboratório, tentando criar cenários, não são previsões, são cenários, é possível que a gente não venha a ter uma seca recorde como em 2023 e 2024”, destacou.

A tendência é de uma vazante importante em 2026, mas, pelos cenários atuais, sem confirmação de novos recordes históricos.

Acre preocupa monitoramento

Enquanto os rios amazonenses seguem dentro da normalidade, a situação no Acre chama a atenção dos especialistas. A estação de monitoramento de Brasiléia já registra uma estiagem considerada crítica e aparece como um dos principais pontos de preocupação na região amazônica.

No Amazonas, o monitoramento permanece constante. Especialistas reforçam que o comportamento dos rios pode sofrer alterações ao longo dos próximos meses, principalmente diante das condições climáticas e da evolução do El Niño.

Ao mesmo tempo, cerca de 25 municípios amazonenses ainda enfrentam reflexos da cheia recente, especialmente em comunidades e áreas de várzea atingidas pelas inundações.

Por enquanto, porém, o cenário nas calhas dos rios do Amazonas, incluindo o Solimões, é de normalidade: as águas começam a baixar no ritmo esperado e não há sinais concretos de uma vazante histórica.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo

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