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O avanço das queimadas e a possibilidade de novas concentrações de fumaça sobre Manaus voltaram a colocar as autoridades amazonenses em estado de atenção. O governador Roberto Cidade convocou para esta segunda-feira (26) uma reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, com o objetivo de avaliar o cenário dos incêndios florestais, da estiagem e dos riscos à população.
O encontro foi anunciado para as 10h, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no bairro Aleixo, zona Centro-Sul da capital. A reunião busca alinhar ações de prevenção, fiscalização, combate aos incêndios e acompanhamento das condições climáticas.
Fumaça que vem do interior preocupa autoridades
Embora Manaus registre focos de incêndio em seu território, parte importante da fumaça que compromete a qualidade do ar na capital tem origem em queimadas de municípios vizinhos.
Em comunicado oficial divulgado no dia 7 de outubro, a Prefeitura de Manaus identificou Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes entre as principais áreas de origem da fumaça que atingia a cidade naquele momento.
Na ocasião, a concentração média de partículas finas MP2,5 chegou a 114,6 microgramas por metro cúbico, nível classificado como muito ruim pela administração municipal.
Essas partículas são especialmente preocupantes porque podem penetrar profundamente no sistema respiratório, agravando problemas pulmonares e cardiovasculares.
A intensidade da fumaça depende de fatores como quantidade de incêndios ativos, direção e velocidade dos ventos, estabilidade atmosférica e ocorrência de chuvas. Por isso, mesmo áreas distantes dos focos de queimadas podem sofrer com a poluição.
Amazonas enfrenta crescimento expressivo das queimadas
O cenário ambiental já vinha apresentando sinais de agravamento desde o início de outubro.
Segundo boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas, baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estado registrou 644 focos de calor entre os dias 1º e 7 de outubro de 2026, contra 277 no mesmo período do ano anterior.
O aumento foi de aproximadamente 132,5%.
No acumulado de janeiro a 7 de outubro, foram contabilizados 6.901 focos, ante 3.559 no período equivalente de 2025. Isso representa crescimento de 93,9%.
Os números reforçam a necessidade de vigilância, especialmente durante períodos de estiagem e temperaturas elevadas.
Governo amplia mobilização para combater incêndios
O Governo do Amazonas mantém operações de combate às queimadas com participação do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e órgãos ambientais.
Entre as medidas anunciadas anteriormente estão o reforço de equipes, a utilização de aeronaves especializadas, a ampliação de estruturas operacionais no interior e a articulação com órgãos federais.
No dia 17 de outubro, o Corpo de Bombeiros solicitou quatro aeronaves adicionais de grande porte para ampliar a capacidade de resposta entre outubro e dezembro, diante das dificuldades de acesso às áreas atingidas.
O estado também declarou situação de emergência em municípios afetados pelos incêndios e estabeleceu restrições ao uso do fogo durante o período crítico.
Interior e região do Solimões também precisam de atenção
A preocupação não se limita à capital.
Municípios do interior, incluindo localidades das regiões do Médio e Alto Solimões, enfrentam os efeitos da estiagem, do calor e da ocorrência de queimadas em diferentes áreas.
Em alerta anterior da Defesa Civil, municípios como Coari, Jutaí, Santo Antônio do Içá e Uarini estiveram entre os que apresentaram condições de qualidade do ar que exigiam atenção.
Para comunidades ribeirinhas e indígenas, a situação exige cuidados adicionais, sobretudo em localidades afastadas dos serviços de saúde.
É importante ressaltar que os alertas anteriores não significam, necessariamente, que esses municípios estejam sob as mesmas condições nesta segunda-feira. A situação depende de medições atualizadas.
População deve redobrar os cuidados
A fumaça das queimadas pode provocar irritação nos olhos, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma ou problemas cardíacos merecem atenção especial.
As autoridades de saúde recomendam:
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Evitar exercícios físicos ao ar livre durante períodos de fumaça intensa.
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Manter portas e janelas fechadas quando a qualidade do ar estiver comprometida.
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Beber água regularmente.
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Utilizar máscaras PFF2 ou N95 quando for necessário sair em ambientes com fumaça.
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Procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios persistentes ou agravamento do quadro.
Em situações de emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193, a Defesa Civil pelo 199 e o Samu pelo 192.
Atenção redobrada nos próximos dias
A reunião convocada pelo Governo do Amazonas ocorre em um momento de preocupação com a persistência das queimadas e os possíveis efeitos da fumaça sobre a saúde da população.
Embora o deslocamento de novas concentrações de poluentes dependa das condições atmosféricas, o histórico recente demonstra que a capital pode ser atingida pela fumaça de incêndios registrados a dezenas ou centenas de quilômetros de distância.