Portal de Notícias da Cidade de Fonte Boa - Amazonas - Brasil

Notícias/Amazonas

Base Arpão chega, mas escancara ausência da Marinha nas rotas do crime no interior do Amazonas

Enquanto o Estado reforça policiamento com base fluvial, ribeirinhos denunciam falta de patrulhamento da Marinha em uma das regiões mais estratégicas do país.

Base Arpão chega, mas escancara ausência da Marinha nas rotas do crime no interior do Amazonas
Imagem: Acrítica (SSP-AM / Marinha do Brasil).
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Nos rios do interior do Amazonas, onde a vida pulsa entre comunidades ribeirinhas e embarcações que abastecem cidades inteiras, o medo ainda navega livre. O que deveria ser rota de desenvolvimento e integração, há anos se tornou também corredor do crime organizado.

Tráfico de drogas, garimpo ilegal, biopirataria e até ações conhecidas como “pirataria fluvial” seguem avançando, principalmente nas rotas que ligam o Alto e Médio Solimões a Manaus. E, nesse cenário, a chegada da Base Fluvial Arpão 1 ao município de Jutaí representa um reforço importante, mas também levanta um questionamento cada vez mais presente entre moradores: onde está a Marinha do Brasil?

Missão da Marinha e a realidade nos rios

A Marinha do Brasil (MB) possui, por missão constitucional e legal, papel central na segurança da navegação e fiscalização do tráfego aquaviário em rios e mares do país.

Entre suas principais atribuições estão:

  • Inspeção naval diária (documentação, habilitação e segurança das embarcações);
  • Combate ao tráfico de drogas e armas;
  • Repressão à pirataria fluvial (“Piratas do Norte”);
  • Atuação em operações de fronteira, como a Operação Ágata Amazônica;
  • Ações integradas com Polícia Federal, Receita Federal e forças estaduais.

Em regiões de fronteira, inclusive, as Forças Armadas têm poder de polícia para abordar embarcações e realizar prisões em flagrante.

Omissão sentida na prática

Apesar desse papel estratégico, o que se vê no Alto e Médio Solimões, segundo relatos de moradores, é uma realidade bem diferente.

Ribeirinhos afirmam que o patrulhamento da Marinha praticamente desapareceu nos últimos anos.

“Antes era comum ver dois, até três navios patrulha circulando na região. Hoje, é raro. Praticamente não se vê mais”, relatam comunitários.

A ausência desses patrulhamentos abre espaço para que organizações criminosas atuem com mais liberdade, utilizando os rios como corredores seguros para transporte de drogas, ouro ilegal e outros ilícitos.

Base Arpão surge como resposta emergencial

Diante desse cenário, o Governo do Amazonas aposta na Base Fluvial Arpão 1 como alternativa para reforçar a presença do Estado em uma região historicamente desguarnecida.

A estrutura contará com equipes integradas da Polícia Militar (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros (CBMAM) e Departamento Técnico-Científico (DPTC), atuando diretamente nas abordagens e fiscalizações de embarcações.

A base será posicionada em área estratégica do Médio Solimões, rota conhecida por conectar o tráfico internacional vindo principalmente do Peru e da Colômbia até Manaus.

Crimes avançam onde o Estado falha

Autoridades de segurança já reconheceram que os crimes na região estão interligados. Tráfico, garimpo ilegal e biopirataria operam em rede, aproveitando justamente as fragilidades de fiscalização.

E é nesse ponto que cresce a crítica:
a ausência da Marinha, que deveria liderar esse controle nos rios, acaba ampliando a vulnerabilidade da região.

Mesmo com operações pontuais, como a Ágata Amazônica, moradores apontam que a falta de presença contínua facilita a atuação do crime organizado.

Médio Solimões: entre o abandono e a esperança

Por anos, o Médio Solimões viveu à margem de uma fiscalização efetiva nas suas principais rotas fluviais. Agora, com a chegada da Base Arpão 1, surge uma esperança de mudança, ainda que parcial.

A iniciativa estadual mostra reação diante do avanço do crime, mas também escancara uma lacuna maior:
a necessidade de atuação mais firme e permanente das Forças Armadas, especialmente da Marinha, que tem responsabilidade direta sobre essas águas.

O que a população espera

Mais do que operações pontuais, os ribeirinhos pedem presença constante, segurança e respeito.

Querem voltar a navegar sem medo. Querem ver o Estado em todas as suas esferas ocupando os rios que hoje são disputados pelo crime.

A Base Arpão chega como reforço importante.
Mas, para muitos, a pergunta continua ecoando nas margens do Solimões:

até quando a Marinha estará ausente de uma das regiões mais estratégicas do Brasil?

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo.

Veja também

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!