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Amazonas

DRAGAGEM NO SOLIMÕES: CERCA DE 180 FAMÍLIAS TEMEM PERDER SUAS CASAS COM DESMORONAMENTO DE BARRANCO

Moradores do Careiro da Várzea questionam retirada de areia próxima às residências, cobram estudos ambientais e defendem rota alternativa para balsas. DNIT afirma que intervenção é necessária para garantir a navegação durante a estiagem.

DRAGAGEM NO SOLIMÕES: CERCA DE 180 FAMÍLIAS TEMEM PERDER SUAS CASAS COM DESMORONAMENTO DE BARRANCO
Imagem: Divulgação (DNIT).
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A realização de serviços de dragagem no Rio Solimões, nas proximidades da comunidade da Prainha, no município de Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus, provocou preocupação entre aproximadamente 180 famílias que temem perder suas casas em consequência de possíveis desmoronamentos das margens do rio.

A estrutura utilizada na intervenção chegou à comunidade na quarta-feira (28), acompanhada por representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), segundo informações divulgadas pelos moradores.

A obra tem como objetivo melhorar as condições de navegação das balsas que fazem a travessia entre o Porto da Ceasa, em Manaus, e Careiro da Várzea, trecho que integra a ligação da BR-319.

Entretanto, a proximidade da área de dragagem com as residências levantou questionamentos sobre os possíveis efeitos da retirada de sedimentos na estabilidade dos barrancos.

Moradores temem avanço das terras caídas

A líder comunitária Antônia Rosely Reis afirma que a população reconhece a importância de manter a navegação, mas teme que a retirada de areia próxima à margem agrave o processo natural de erosão.

Segundo os moradores, algumas famílias já precisaram recuar suas residências em outras ocasiões devido ao fenômeno conhecido como terras caídas, comum em diferentes trechos dos rios amazônicos.

O ex-vereador Arnaldo Bandeira também manifestou preocupação com a segurança das famílias, especialmente crianças e idosos, caso ocorram desmoronamentos durante a noite.

Ele defende que os responsáveis pela intervenção avaliem uma rota alternativa para as balsas, que, segundo sua estimativa, acrescentaria aproximadamente cinco minutos à travessia.

A viabilidade técnica dessa alternativa ainda precisa ser confirmada pelos órgãos responsáveis.

Comunidade questiona documentação ambiental

Outro ponto levantado pelos moradores envolve a apresentação dos estudos e documentos que fundamentam a execução da obra.

Segundo Arnaldo Bandeira, representantes da comunidade solicitaram esclarecimentos sobre licenciamento ambiental e segurança da intervenção durante reunião com integrantes do DNIT.

Ele afirma que os documentos não foram apresentados aos comunitários naquele momento.

Isso, entretanto, não significa que a obra esteja sendo executada sem as autorizações exigíveis. A existência e a regularidade dos documentos precisam ser verificadas junto aos órgãos competentes.

Os moradores também relataram a presença de manchas de óleo e peixes mortos nas proximidades da intervenção.

Até o momento, não foram apresentados laudos que comprovem a origem das manchas ou estabeleçam relação entre os peixes mortos e os serviços de dragagem.

Imagem: Divulgação (DNIT)
Imagem: Divulgação (DNIT)

DNIT justifica intervenção para evitar isolamento

Em comunicado oficial publicado em 21 de outubro, o DNIT informou que realizou uma inspeção técnica na travessia Manaus–Careiro da Várzea, em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A vistoria identificou dificuldades provocadas pela estiagem, incluindo a formação de um banco de areia que compromete as condições de navegação.

A solução anunciada prevê a utilização de uma draga de sucção e recalque para remover sedimentos e permitir a passagem segura das embarcações.

Segundo informações divulgadas após a inspeção, pelo menos 15 mil pessoas poderiam ser afetadas caso a travessia fosse interrompida, com possíveis consequências para o abastecimento, transporte de passageiros e acesso a serviços essenciais.

A Antaq também confirmou o acompanhamento das condições da travessia e a necessidade de avaliar medidas para manter a continuidade das operações durante a estiagem.

Fonte Boa em Tempo já havia alertado para a necessidade de estudos

O episódio no Careiro da Várzea reforça uma discussão levantada pelo Portal Fonte Boa em Tempo em reportagem publicada no dia 8 de outubro, com o título “Dragagem no Solimões: até onde é seguro mexer no caminho natural do rio?”

Naquela publicação, o portal destacou a importância das obras para manter a navegação durante a estiagem, mas também apresentou preocupações de antigos moradores do Solimões com possíveis alterações na movimentação dos sedimentos, nas margens, nas entradas de lagos e nas áreas utilizadas pela pesca.

A reportagem chamou atenção para o conhecimento acumulado por pescadores e ribeirinhos que, durante décadas, observaram ilhas desaparecerem, bancos de areia surgirem e barrancos serem levados pela correnteza.

O questionamento central permanece atual: quais estudos e medidas de monitoramento estão sendo realizados para garantir que intervenções necessárias à navegação não produzam impactos indesejados sobre as comunidades e o ambiente?

Relembre:

Leia a reportagem anterior do Fonte Boa em Tempo

O que dizem a ciência e a experiência dos ribeirinhos?

O Solimões é um rio de intensa movimentação de sedimentos. A erosão das margens, o transporte de material pelo leito e a formação de bancos de areia fazem parte de sua dinâmica natural.

Intervenções de dragagem modificam localmente o fundo do rio e, dependendo das características da obra, podem exigir avaliações sobre estabilidade das margens, correntes e qualidade da água.

Isso não significa que toda dragagem provoque desmoronamentos. A avaliação depende de fatores como profundidade da escavação, distância das margens, composição dos sedimentos e comportamento hidráulico do trecho.

É justamente por isso que estudos técnicos e acompanhamento ambiental são importantes.

Moradores buscam providências

Representantes da comunidade informaram que procuraram a Defensoria Pública para solicitar providências e esclarecimentos sobre os riscos da intervenção.

Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de decisão judicial suspendendo os serviços nem manifestação específica do DNIT respondendo às denúncias apresentadas pelos moradores.

O Portal Fonte Boa em Tempo considera importante que sejam esclarecidos os estudos de estabilidade das margens, as condições ambientais da intervenção e a possibilidade de alternativas para a navegação.

A segurança das embarcações e a proteção das famílias ribeirinhas não devem ser tratadas como objetivos incompatíveis.

Garantir que as balsas continuem navegando é fundamental para o abastecimento do Amazonas. Mas assegurar que as comunidades próximas às obras não sejam expostas a riscos evitáveis também é uma responsabilidade do poder público.

O espaço permanece aberto para manifestações do DNIT, dos órgãos ambientais e da Defensoria Pública.

Fontes: DNIT; Antaq; Fato Amazônico (29/10/2026); Record Manaus/R7 (28/10/2026); Portal Fonte Boa em Tempo (08/10/2026).

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em tempo / DNIT; Antaq.

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