A divulgação da mais recente pesquisa do Instituto Veritá para o Governo do Amazonas trouxe um recado preocupante para o senador Omar Aziz (PSD): o eleitorado amazonense parece cada vez menos disposto a apostar em velhas lideranças políticas.
Os números divulgados nesta quinta-feira (28) mostram que Omar aparece com 32,9% das intenções de voto, registrando queda em relação ao levantamento anterior, quando alcançava 34,5%. O recuo acontece justamente em um momento em que o senador intensificou sua presença nos debates políticos, ampliou agendas públicas e passou a ser tratado como um dos principais nomes da sucessão estadual.

A situação se torna ainda mais delicada quando analisada em conjunto com o desempenho da pré-candidata Maria do Carmo (PL), que atingiu 44,6% das intenções de voto e abriu uma vantagem próxima de 12 pontos percentuais sobre o senador.

O resultado levanta questionamentos importantes sobre a capacidade de Omar Aziz de transformar sua longa trajetória política em apoio eleitoral efetivo.
Com passagens pela Prefeitura de Manaus, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e atualmente ocupando uma das cadeiras do Senado Federal, Omar é um dos políticos mais conhecidos do Amazonas. Em tese, esse histórico deveria representar uma vantagem competitiva. No entanto, os números sugerem que o alto índice de conhecimento popular não está necessariamente se convertendo em crescimento eleitoral.
Analistas observam que existe uma diferença significativa entre ser conhecido e ser escolhido pelo eleitor. Em muitos casos, políticos tradicionais acabam enfrentando dificuldades para ampliar sua base de apoio justamente porque carregam consigo o desgaste acumulado de décadas de atuação pública.
O fenômeno não é exclusivo do Amazonas. Em diversas regiões do país, pesquisas recentes têm demonstrado uma tendência de rejeição a figuras associadas ao sistema político tradicional. O eleitor tem demonstrado maior disposição para experimentar alternativas consideradas novas ou fora dos grupos políticos que dominaram o cenário nas últimas décadas.
Outro fator que chama atenção é a dificuldade de Omar Aziz em romper a barreira dos 40% das intenções de voto. Mesmo após ocupar espaços estratégicos na política estadual e nacional, o senador segue estacionado em uma faixa eleitoral que, para muitos especialistas, representa um teto de crescimento difícil de superar sem mudanças significativas na estratégia de campanha.
Nos bastidores, a preocupação é ainda maior porque a pré-campanha praticamente já começou. Embora a eleição esteja marcada apenas para outubro de 2026, o período atual é considerado fundamental para a consolidação de narrativas e posicionamentos junto ao eleitorado.
A queda registrada pelo Instituto Veritá também reforça a percepção de que parte da população busca uma renovação política no estado. O crescimento acelerado de Maria do Carmo, que saltou de 24,3% em março para 44,6% em maio, demonstra que existe espaço para candidaturas que consigam capturar o sentimento de mudança presente em setores do eleitorado amazonense.
Para Omar Aziz, o desafio agora vai além de recuperar os pontos perdidos. Será necessário convencer o eleitor de que seu projeto político representa algo novo em um cenário onde o desejo por renovação parece ganhar força a cada pesquisa divulgada.
A um ano e quatro meses da eleição, nada está definido. No entanto, os números atuais mostram que o senador, que durante anos foi considerado um dos nomes mais fortes da política amazonense, enfrenta talvez o momento mais desafiador de sua trajetória recente.
A pesquisa do Instituto Veritá não representa uma sentença eleitoral, mas funciona como um alerta claro: o caminho até o Governo do Amazonas está longe de ser tranquilo para Omar Aziz e exigirá muito mais do que o peso de seu currículo político para convencer os eleitores amazonenses.
