Para reforçar a prevenção durante o período de inundações, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) alerta, nesta segunda-feira (15/12), para os cuidados necessários para evitar acidentes com animais peçonhentos. Até dezembro de 2025, o estado registrou 3.500 ocorrências, sendo 1.846 envolvendo serpentes, 577 escorpiões e 412 aranhas, ressaltando a importância da atenção e da busca imediata por orientação em caso de acidente.
O monitoramento contínuo conduzido pela Gerência de Zoonoses da Vigilância Ambiental permite identificar padrões e orientar ações preventivas, mas, nos meses de cheia, o cuidado deve ser intensificado, pois as chuvas favorecem o deslocamento desses animais em busca de novos abrigos.

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, destaca que a vigilância contínua é determinante para orientar as ações do estado.
“Esses números reforçam a importância de acompanhar o território de perto, compreender o comportamento das espécies e apoiar os municípios na resposta rápida aos casos. Monitorar os acidentes permite direcionar insumos, fortalecer equipes e promover condutas seguras para a população”, afirma.
Para o diretor de vigilância ambiental da FVS-RCP, Elder Figueira, os dados também revelam o papel das equipes municipais no fluxo de informações que sustentam as decisões de saúde pública.
“Cada notificação representa mais do que um registro; ela ajuda a mapear riscos, ajustar orientações e planejar ações educativas. O envolvimento das secretarias municipais e das vigilâncias locais é decisivo para proteger a população e reduzir complicações”, explica.
Prevenção de acidentes peçonhentos
A FVS-RCP reforça medidas fundamentais para prevenção, especialmente em períodos de chuva e em localidades com maior circulação dessas espécies:
- Evitar acúmulo de lixo ou entulho próximo às residências.
- Manter jardins e quintais limpos e livres de objetos que possam servir de abrigo.
- Usar calçados fechados e luvas ao realizar atividades rurais, jardinagem ou limpeza externa.
- Sacudir roupas, sapatos e toalhas antes de usar.
- Vedar frestas, ralos e buracos que possam permitir entrada de animais.
- Em caso de acidente, procurar imediatamente o serviço de saúde.
A FVS-RCP segue monitorando os agravos e apoiando os municípios na organização das ações de vigilância, orientação à população e distribuição de insumos estratégicos.
Conheça as quatro espécies de cobras mais letais da Amazônia brasileira
Na Amazônia brasileira, existem dois grupos de cobras peçonhentas que são consideradas de interesse médico, mas que trazem algum risco para os seres humanos: os viperídeos, cobras da família Viperidae, que são a Jararaca, a Surucucu e a Cascavel; e os elapídeos, cobras da família Elapidae, e são as cobras-corais verdadeiras.

Dentre as espécies de Jararaca, a mais comum é a jararaca-do-norte (Foto: Alexandre Almeida/Divulgação)
Jararaca
É considerada a espécie que ocorre mais comumente na Amazônia devido à alta abundância e também por ser uma espécie que tolera ambientes modificados, como nas proximidades de cidades e fragmentos florestais. É uma espécie que pode chegar até 2,1 metros de comprimento.
As jararacas são animais considerados mais ativos no período noturno e frequentemente encontradas próximo à corpos d’água, como igarapés. Se alimentam quando adultas principalmente de pequenos mamíferos, como ratos.
Uma das formas de prevenir acidentes com esse animal é manter o entorno da moradia limpo e livre de entulho, pois lixo atrai ratos, que atraem as cobras.
Além disso, os entulhos são vistos por elas como locais de esconderijo.

A espécie Lachesis muta ou Surucucu tem um dos venenos mais letais entre as cobras das Américas (Foto: Sérgio Marques/Projeto Sisbiota)
Surucucu
A Surucucu é a maior cobra peçonhenta das Américas. “Isso por si só acaba causando pânico nas pessoas”, lembra a pesquisadora Luciana Frazão.
“Porém esse animal está associado a matas de floresta primária, ou seja, áreas muito bem conservadas. Também é importante dizer que são animais que ocorrem pontualmente nessas florestas, o que dificulta o encontro desses animais, mesmo para quem trabalha com eles”, ressalta Luciana.
E por ser um animal de grande porte, o risco maior do envenenamento se deve por ela poder injetar uma grande quantidade de veneno na presa, devido ao porte do próprio corpo. Esses animais podem alcançar até 3,5 metros de comprimento.

Principal característica da cobra Cascavel é o chocalho na ponta da cauda (Foto: Anderson Rocha/Inpa)
Cascavel
A cobra cascavel se diferenciam dos demais tipos de cobras porque possue um chocalho na ponta do rabo, que funciona como um verdadeiro sinal da sua aproximação.
Trata-se de um dos venenos mais perigosos, o que faz com que ela ocupe o primeiro lugar em mortes causadas por mordidas de cobra no Brasil.
Na Amazônia, esses animais têm hábitos noturnos, principalmente por conta das altas temperaturas durante o dia.
Dentre os efeitos dos diferentes tipos de veneno das cascavéis, estão a paralisia, insuficiência renal e respiratória, dores musculares e urina escura, hemorragia e sangramentos.

Dentre as espécies de corais-verdadeiras que ocorrem na Amazônia, podemos citar Micrurus spixii (Foto: Projeto Sisbiota)
Corais-verdadeiras
As espécies dos gêneros Micrurus e Leptomicrurus, possuem pouquíssimos casos de acidente ofídico. Isso se deve por essas espécies terem um comportamento bastante tímido. Elas costumam se locomover por baixo das folhas secas do chão da floresta e até mesmo no solo. Isso faz com que os encontros com os seres humanos sejam raros, e geralmente o acidente ofídico ocorre quando elas são pisadas ou tocadas sem querer.
“O que poderia ser evitado caso as pessoas se protegessem ao andar na floresta, usando botas ou calçados fechados e olhando antes de colocar a mão em algum lugar”, avalia a pesquisadora.
Quando for picado… Quando ocorre o acidente ofídico é importante lavar o local com água e sabão e encaminhar a vítima para o hospital mais próximo e, se possível, levar uma foto da cobra que causou o acidente (ou mesmo a cobra, se ela foi morta).
Isso ajuda no tratamento, pois as cobras apresentam diferentes tipos de veneno.
Por exemplo, as jararacas apresentam veneno com atividade proteolítica (inflamação aguda, podendo causar necrose no local), coagulante e hemorrágica.
Já as corais-verdadeiras apresentam veneno com atividade neurotóxica, que em casos mais graves, tem risco de insuficiência respiratória para quem foi picado.
Por isso, a identificação da espécie é importante para que o soro específico seja administrado.
Não são recomendadas medidas que possam retardar o diagnóstico correto, como ingestão de chás e afins, que possam confundir os sintomas.
