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Escalada de linchamentos expõe falhas na segurança no interior

Casos recentes em cidades como Tonantins, Jutaí e Borba revelam padrão de violência extrema, com suspeitos retirados de delegacias e mortos por multidões

Escalada de linchamentos expõe falhas na segurança no interior
População tem se revoltado com casos de violência extrema. Imagem: Divulgação.
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Nos últimos anos, o Amazonas tem registrado uma série de casos de linchamento de presos, muitas vezes seguidos de vandalismo em delegacias. Esses crimes, que chocam pela violência e selvageria coletiva, ocorreram em cidades como Borba, Fonte Boa, Jutaí e, mais recentemente, em Tonantins, onde um homem de 38 anos foi linchado e queimado vivo em praça pública.

Ele também citou o caso de Tonantins (distante 849 quilômetros de Manaus), onde “um preso foi retirado por populares de uma carceragem, tendo sua vida ceifada de forma brutal.” O desembargador repudiou o episódio, classificando-o como “evidente barbárie”, e defendeu que o Estado deve reforçar a segurança para prevenir tais atos. Ele também pediu uma reflexão da sociedade para combater a violência.

Em Fonte Boa, suspeito de ter matado uma criança foi linchado. População depredou delegacia e incendiou viaturas.

Análise

O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fabio Candotti, explicou que, embora esses casos não sejam frequentes, ocorrem com regularidade no interior do estado e seguem um padrão: um crime considerado cruel contra pessoas vulneráveis (geralmente crianças e mulheres) é cometido, o suspeito é preso e, em seguida, retirado à força da delegacia por um grupo de pessoas, com o linchamento frequentemente terminando em incêndio.

Segundo o professor, no entanto, esse não é o linchamento típico de nosso estado, que está entre os lugares com maior quantidade de crimes no Brasil e na América Latina.

“O mais típico são os linchamentos de pessoas acusadas de roubo. Isso ocorre quase todos os dias. Nesses casos, um grupo de pessoas pratica atos de tortura, no meio da rua, mas nunca envolve retirada da delegacia ou fogo”, explica.

O professor destacou ainda que não é a “população” em geral que lincha, mas geralmente um grupo de homens. Ele ressaltou que, mesmo com os crimes sendo frequentemente gravados em vídeo, os agressores raramente são acusados de homicídio ou tentativa de homicídio, e a falta de comoção em torno dos fatos faz com que esses atos pareçam “naturais e justificados.”

Gabriel Lima Cardoso, 18, suspeito do estupro e assassinato de uma adolescente, foi linchado e teve o corpo queimado no município de Borba (distante 210 quilômetros de Manaus). Seis policiais militares tentaram em vão impedir o crime e terminaram com ferimentos leves. Ele se entregou à polícia, mas foi retirado da carceragem pela população e morto em via pública. Treze pessoas foram identificadas pela Polícia Civil por participarem da depredação do prédio da Polícia Militar e do linchamento.

Na decretação das prisões preventivas, o juízo da Comarca de Fonte Boa salientou que os depoimentos das testemunhas, em especial dos policiais militares e guardas municipais foram uníssonos em afirmar que presenciaram os suspeitos “retirando a vítima da delegacia e iniciando os atos bárbaros".

Um homem suspeito de estuprar e matar uma criança de um ano foi linchado e queimado no município de Jutaí (distante 750 quilômetros de Manaus). Ele se apresentou espontaneamente à delegacia e confessou os crimes, mas uma multidão invadiu o prédio, retirou o suspeito e o espancou até a morte antes de queimá-lo.

Quatro pessoas foram presas, suspeitas de participar do linchamento, incluindo a mãe da criança assassinada.

José Andrei de Matos Rodrigues, 38, foi linchado e queimado vivo. Ele era suspeito da morte da mãe de 44 anos e da tentativa de homicídio contra a filha dela, de 21. Preso em uma área de mata, ele foi levado para a delegacia, mas uma multidão se formou, resultando em atos de violência que culminaram no seu linchamento. A corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) investiga se o delegado de Tonantins estava ausente no momento do crime.

 

FONTE/CRÉDITOS: Redação Fboa em Tempo / acritica.com

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